
A travessia hidroviária entre Rio Grande e São José do Norte, utilizada diariamente por trabalhadores, estudantes e moradores da região, tem sido alvo de reclamações relacionadas à superlotação das lanchas de passageiros, principalmente nos horários de pico, no início da manhã e no fim da tarde.
A ligação entre os dois municípios ocorre por meio de balsas, para veículos, e lanchas, para pedestres. Segundo a empresa Transnorte, responsável pela operação, cerca de 105 mil passageiros utilizam o serviço mensalmente.
Nos períodos de maior movimento, no entanto, usuários afirmam enfrentar embarcações cheias, falta de assentos e tabela de horários reduzida.
A reportagem de GZH Zona Sul esteve acompanhando o movimento na Hidroviária de Rio Grande às 18h30min, considerado um dos horários de maior demanda na travessia para São José do Norte. Antes mesmo da lancha atracar no terminal, a fila de passageiros já se formava ao longo da área de embarque.

Assim que a lancha encostou, era possível observar a pressa de quem tenta evitar atrasos e a preocupação de passageiros acostumados com a lotação nos horários de pico.
Moradora de São José do Norte e trabalhadora em Rio Grande, Keysa Avelin depende diariamente da lancha para se deslocar. Ela relata que a lotação excessiva é recorrente e afeta diretamente quem precisa cumprir horários.
— É precária a situação. Não tem lugar pra todo mundo. A maioria das vezes vai lotada e o pessoal vai sempre em pé, sentado nas escadas ou no chão — relata.
Além da lotação, Keysa também critica a grade de horários oferecida, que, segundo ela, não atende adequadamente à demanda de trabalhadores. Anteriormente, as viagens ocorriam de 30 em 30 minutos. Contudo, desde a pandemia, o intervalo foi ampliado para uma hora.
— Se perde a lancha das 19h, depois é só quase às 21h. É uma situação bem complicada — complementa.
Angela Machado, que utiliza a travessia semanalmente, também relata problemas concentrados em um horário específico: o das 18h20min, tradicionalmente marcado pelo retorno de trabalhadores e estudantes.
— Pra mim é excepcional, não tenho nada a reclamar. Acho um bom serviço. Quanto ao horário das 18h20, eu só acho muito superlotada — enfatiza.
O valor da tarifa também divide opiniões entre os passageiros. Atualmente fixada em R$ 6,50, a cobrança é considerada justa por alguns usuários, enquanto outros avaliam que o preço não condiz com o serviço prestado.
— Não compensa, porque o serviço é bem de baixa qualidade — ressalta Keysa.
O serviço de travessia aquaviária entre as duas cidades, tanto por lanchas, como balsas, é regulamentado pela Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan).
Em contato com a reportagem, o órgão afirma que o número de passageiros nas embarcações segue a determinação da Marinha do Brasil.
— O que determina o número de passageiros por lancha é a Marinha, e nossa fiscalização monitora. A própria empresa não permite um passageiro a mais do que estipulado — declara o superintendente da Metroplan, Francisco Hörbe.
Em nota, a empresa Transnorte, responsável pelo serviço, afirma que a Capitania dos Portos realiza fiscalizações presenciais e contagem de passageiros. Além disso, enfatiza que não há registros de autuações relacionadas a esse tema.
Confira a nota na íntegra:
"A empresa Transnorte informa que cumpre rigorosamente todas as normas de segurança estabelecidas pela Autoridade Marítima, não operando com superlotação em suas embarcações.
Todas as embarcações passam por vistorias periódicas realizadas pela Capitania dos Portos, que avalia de forma criteriosa diversos itens, incluindo os equipamentos de salvatagem e o respeito à capacidade máxima de passageiros.
Essa capacidade é definida por meio de estudos de engenharia naval, contemplando passageiros sentados e em pé, dentro dos limites seguros de operação.
Destacamos que a Capitania dos Portos também realiza fiscalizações presenciais e contagem de passageiros, não havendo registros de autuações relacionadas a esse tema.
A Transnorte ressalta que leva com seriedade todas as manifestações de usuários e permanece atenta às condições de operação, especialmente nos horários de maior demanda.
Permanecemos à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.
Atenciosamente,
Direção Transnorte."
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.




