
Moradores da Praia do Cassino, em Rio Grande, voltaram a registrar a presença de lama na faixa de areia nos últimos dias. O material apareceu em um trecho localizado entre as guaritas 12 e 16, após a ressaca provocada por ventos intensos que atingiram o litoral gaúcho ao longo da semana passada.
O reaparecimento da lama ocorre cerca de quatro meses após um episódio mais severo, em dezembro de 2025, quando aproximadamente quatro quilômetros da orla chegaram a ser interditados devido ao acúmulo de sedimentos, que deixou o solo instável e escorregadio, oferecendo risco à circulação de pedestres e veículos.
Desta vez, segundo a administração local, o cenário é diferente. Não houve interdição formal da praia, e a quantidade de material observada é considerada reduzida.
Expurgo foi pontual, diz secretário
O secretário do Cassino, Miguel Satt, afirmou, neste domingo (12), que o episódio atual se caracteriza por um pequeno expurgo de lama, com intensidade significativamente menor do que a registrada em ocorrências anteriores.
De acordo com Satt, o material identificado é classificado tecnicamente como lama fina, e não barro, que costuma apresentar maior compactação e formação de torrões.

— O que nós tivemos foi um expurgo pontual, com lama fina, em pouca quantidade. Felizmente, é pouca coisa — explicou o secretário.
Segundo ele, a área afetada foi demarcada, medida adotada para impedir a circulação de veículos e evitar que pessoas se aventurem pelo trecho instável, especialmente em um período de baixa temporada, quando a variação do nível do mar ocorre de forma mais constante ao longo do dia.
A expectativa, conforme Satt, é de que a dinâmica natural da maré contribua para a normalização do cenário nos próximos dias.
— Estamos contando que, com a ação da própria natureza, principalmente com a subida da maré, ocorra a reconstituição do trecho onde apareceu a lama — afirmou.
Fenômeno já havia sido observado em 2025
Em dezembro do ano passado, a lama avançou de forma mais expressiva sobre a orla do Cassino, atingindo inicialmente um trecho de dois quilômetros, entre a Rua Rio de Janeiro e o canal de drenagem Farroupilha, e depois se estendendo até as proximidades da estátua de Iemanjá, no sentido Querência.
Na ocasião, a Secretaria do Cassino orientou moradores e turistas a evitarem o local, devido à incerteza sobre a profundidade do sedimento e ao risco de acidentes. Pequenos morros de areia chegaram a ser utilizados para isolar a área mais afetada.
Especialistas ouvidos à época explicaram que o avanço da lama está ligado à dinâmica natural da região costeira, influenciada tanto pela Lagoa dos Patos quanto pelo fluxo do Rio da Prata, no Uruguai.
Segundo pesquisadores do Instituto de Oceanografia da Furg, a interação entre correntes marítimas, sedimentos acumulados ao longo do tempo e eventos climáticos extremos favorece a formação de bancos de lama, que podem ser remobilizados durante ressacas e ciclones.
Efeitos do ciclone também atingiram o Laranjal
A ressaca recente faz parte de um conjunto de fenômenos associados à passagem de um ciclone extratropical pelo Estado. Na semana passada, os efeitos do sistema também chamaram a atenção em áreas próximas ao Cassino, como o Laranjal, em Pelotas.
Na terça-feira (8), moradores observaram o recuo do nível da água da Lagoa dos Patos, com avanço de cerca de 200 metros da faixa de areia na região do Trapiche. Segundo o Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da UFPel (CPPMet), o fenômeno foi causado por ventos persistentes de oeste, que empurraram a água da lagoa em direção ao oceano.
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