
Uma horta urbana instalada na região portuária de Pelotas tem se tornado um ponto de produção de alimentos, formação profissional e apoio a comunidades em situação de vulnerabilidade. Batizado de “Do Canteiro ao Prato”, o projeto foi apresentado na sexta‑feira (10) e aposta na produção orgânica, na qualificação de jovens e na distribuição gratuita de hortifruti.
A iniciativa é desenvolvida pela Otroporto Indústria Criativa em uma área de cerca de 5,3 mil metros quadrados, localizada na esquina das ruas Conde de Porto Alegre e João Pessoa. Atualmente, o espaço produz aproximadamente 150 quilos de hortaliças por mês, destinados a projetos sociais e moradores do entorno.
Segundo o diretor de projetos da Otroporto, Duda Keiber, o projeto nasce também do compartilhamento de saberes e da conexão com o território e destaca que a eficiência da ação está ligada às escolas parceiras, que integram o processo de formação de jovens.

Entre as entidades atendidas estão o Satolep Invisível – Cozinha Solidária, o Instituto Hélio de Angola, o Kilombo Urbano – Canto de Conexão, além de famílias da própria comunidade.
Parcerias e execução até 2028
O projeto é realizado em parceria com o Centro de Convívio dos Jovens do Mar (CCMar/Furg) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Os recursos são do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL), do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), com apoio da Sagres e da CMPC. A execução está prevista para o período de 2025 a 2028.
A equipe técnica é formada pelo professor Ernesto Martinez, coordenador técnico; pelo professor Reges Echer, supervisor; pela professora Helena Terra; pelo técnico em agroecologia Andrei Silva; e pelo auxiliar de produção Alan Born Silva.
Formação profissional para jovens

Além da produção de alimentos, um dos eixos centrais do projeto é a formação profissional de jovens. O curso gratuito de Agricultura e Meio Ambiente será ofertado a estudantes de 16 a 20 anos, matriculados em escolas públicas da região portuária.
As aulas ocorrem no turno inverso ao escolar e incluem vale‑transporte, lanche e certificado. A proposta é preparar os participantes para atuar em áreas como jardinagem, paisagismo, produção hortícola e projetos ambientais, além de incentivar o empreendedorismo.
A primeira turma ocorre de 4 de maio a 10 de julho, e a segunda, de 14 de setembro a 11 de dezembro, com 15 vagas cada.
Iniciativa começou em Rio Grande
O projeto em Pelotas dá continuidade a uma experiência iniciada em 2018, no CCMar/Furg, em Rio Grande, idealizada pelo professor Lauro Barcellos. A proposta une educação ambiental, produção de alimentos e inclusão social.
Em Pelotas, as atividades começaram em 2024, com a revitalização da área, implantação de infraestrutura básica e execução do projeto paisagístico, incluindo o plantio de espécies nativas. O projeto também está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
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