
Diante de dois acidentes com mortes em menos de um mês na metade sul do Estado, o setor da construção civil reforça a importância dos cuidados dentro dos canteiros de obras. Casos recentes em Pelotas e em Santana do Livramento reacenderam o alerta sobre riscos e responsabilidades no ambiente de trabalho.
Segundo o diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) de Pelotas, Mateus Stark Ehlert, a segurança deve ser o primeiro passo antes de qualquer atividade.
— Antes de começar qualquer trabalho, a gente parte da análise dos riscos. Em um serviço de fundação, por exemplo, avaliamos o que pode oferecer perigo ao trabalhador e, a partir disso, atuamos na prevenção — afirma.
De acordo com ele, a construção civil conta com uma série de normas regulamentadoras que orientam as práticas de segurança, como a NR-18, voltada às condições no setor, e a NR-35, específica para trabalho em altura.
— Risco sempre vai existir, em qualquer atividade. O que a gente precisa fazer é minimizar ao máximo. A própria legislação traz diretrizes para isso, e as empresas precisam seguir essas normas para garantir o bem-estar dos trabalhadores — explica.
Além das regras, os canteiros de obras contam com sinalizações e procedimentos específicos para áreas de maior risco, como locais com movimentação de cargas, operação de máquinas ou trabalho em altura.
— Existem sinalizações, orientações e acompanhamento técnico dentro das obras. Mas também é fundamental que o trabalhador esteja atento e respeite essas indicações — diz.
Ehlert destaca que a responsabilidade pela segurança é compartilhada entre empresas e funcionários. Enquanto as construtoras devem fornecer equipamentos e garantir condições adequadas, cabe aos trabalhadores utilizar corretamente os EPIs e seguir as orientações.
— A empresa quer que o funcionário volte para casa da mesma forma que chegou. Então, fornece os equipamentos e orientações. Mas o trabalhador também precisa fazer a sua parte e usar esses recursos — afirma.
O diretor avalia que, de modo geral, houve avanço na cultura de segurança no setor, tanto por parte das empresas quanto dos profissionais.
— Hoje existe uma consciência maior. Antigamente, era comum ver trabalhadores sem equipamentos básicos. Isso mudou com o tempo, com mais fiscalização e orientação. Ninguém quer que aconteça um acidente — completa.
Investigação segue em Pelotas
Em Pelotas, a queda de uma grua matou três trabalhadores no fim de março, durante a realização de testes em um equipamento em um canteiro de obras na Avenida Pinheiro Machado, no bairro Fragata.
As vítimas foram identificadas como William de Oliveira Andrade, Raimundo José da Silva e Tharles Rocha Martins. Eles atuavam na manutenção da estrutura, que tombou durante a atividade.
A Polícia Civil segue investigando as causas do acidente e aguarda os laudos periciais, que devem apontar se houve falha mecânica, erro operacional ou fadiga de material.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, a obra permanece embargada. A empresa responsável pela montagem e manutenção da grua teve as operações interditadas, e a medida se estende a outros equipamentos sob sua responsabilidade.
Em Pelotas, mais de 20 gruas estão sem manutenção no momento, até que a empresa comprove a correção dos problemas identificados.
Trabalhador morreu no início da semana em acidente em Santana do Livramento

Já em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste, um trabalhador de 38 anos morreu na segunda-feira (13) após ser atingido por placas de concreto durante a construção de um prédio pré-moldado.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o acidente ocorreu no momento em que o homem soltava as amarrações da carga em um caminhão, para dar início ao içamento com um guindaste.
Três placas de concreto, com cerca de 1,5 tonelada cada, teriam se deslocado, rompido a estrutura lateral do veículo e caído sobre a vítima, que estava ao lado do caminhão.
A área foi isolada para perícia, e o caso também é investigado pela Polícia Civil. As causas do acidente ainda estão sendo apuradas.
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