
Um homem de 35 anos concluiu o curso superior de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos na Universidade Católica de Pelotas (UCPel) poucos dias após deixar o sistema prisional. A formatura foi celebrada na manhã de segunda-feira (13), na reitoria da instituição, em Pelotas.
Identificado pelas iniciais M.L., o egresso recebeu o diploma acompanhado da família, marcando simultaneamente o fim da graduação e o início de uma nova etapa fora do Presídio Regional de Pelotas.
— Foi um processo muito difícil no início pra mim, pois eu estava no sistema prisional. Lá dentro, quebrei várias barreiras e consegui me qualificar. Com o apoio da minha família, dos professores e de uma rede afetiva, conquistei um sonho — afirmou.
A cerimônia reuniu familiares, professores e representantes da universidade. O diploma foi entregue pelo reitor da UCPel, José Carlos Pereira Bachettini, e pelo diretor do Centro de Ciências Sociais e Tecnológicas (CCST), professor Fábio Piñero.
Após a graduação, o objetivo do recém-formado é seguir na vida acadêmica, com foco na realidade de egressos do sistema prisional no mercado de trabalho.
— Minha pesquisa é sobre o que vou vivenciar: eu falo da receptividade do egresso do sistema prisional no mercado de trabalho. Tenho como objetivo uma especialização e, no futuro, fazer um mestrado e um doutorado — disse.
Parceria com a Polícia Penal
A formação ocorreu por meio de um convênio entre a UCPel e o governo do Estado, através da Polícia Penal, que permite o acesso de apenados ao ensino superior. A iniciativa está em funcionamento há quatro anos.
Segundo a diretora de Educação a Distância da universidade, Patrícia Giusti, esta é a terceira conclusão de curso dentro da parceria.
— Hoje nos formamos a terceira pessoa através dessa parceria. Parece ser um número pequeno, mas é algo muito significativo — destacou.
A coordenadora técnica da Polícia Penal do Rio Grande do Sul, Suleima Bredow, afirma que o acesso à educação é um elemento central no processo de reinserção social.
— Quando a pessoa em cumprimento de pena acessa a educação, ela transforma a forma como ela se percebe no mundo e, também, a forma como percebe o mundo — afirmou.
De acordo com ela, a qualificação contribui para ampliar oportunidades após o cumprimento da pena e para a construção de novos vínculos sociais.
A parceria entre universidade e sistema prisional busca justamente ampliar o acesso ao ensino e favorecer a reintegração de apenados à sociedade por meio da educação.



