
Planos de contingência para enfrentar eventos climáticos extremos são discutidos nesta sexta-feira (13) durante um seminário realizado em Pelotas. O encontro ocorre das 8h30min às 17h no auditório Dom Antônio Zattera, na Universidade Católica de Pelotas, e é promovido pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul.
Com o tema “Prevenção, Preparação e Resposta a Desastres: Sensibilização e Qualificação dos Planos de Contingência Municipais – O Olhar do MPRS”, o evento reúne especialistas, gestores públicos, pesquisadores e membros do Ministério Público para debater aspectos institucionais, sociais, culturais e técnicos relacionados à preparação das cidades para desastres naturais.
O encerramento da programação contará com um painel científico formado por pesquisadores de instituições da região. Um dos participantes é o meteorologista Henrique Repinaldo, da Universidade Federal de Pelotas, que destaca o aumento da frequência de fenômenos climáticos extremos.
— A frequência de eventos extremos tem aumentado em todo o mundo. Não digo só grande quantidade de chuva, mas também eventos de estiagem. Algo que a gente pensava que era para um futuro bastante distante. Na verdade, já estamos vivenciando essa nova mudança — afirma.
Segundo o pesquisador, uma das mudanças mais importantes na gestão de desastres é a transição da previsão meteorológica tradicional para a chamada previsão de impacto. Após a enchente de 2024 no Rio Grande do Sul, gestores passaram a focar não apenas no volume de chuva previsto, mas nos efeitos concretos que esse volume pode causar nas cidades, como alagamentos, profundidade da água e necessidade de operações de resgate.
— Hoje em dia o gestor público quer saber como cem milímetros vão impactar sua cidade. Se o rio extravasar o seu curso, ele vai atingir quantas quadras? A Defesa Civil, se você tiver que fazer algum salvamento, vai ter que ser de barco, de caminhonete, de helicóptero? Esse tipo de ação — explica.
Repinaldo destaca que essa evolução só foi possível com o avanço dos sistemas de monitoramento hidrometeorológico. Em 2024, muitos municípios ainda dependiam de métodos manuais para medir o nível dos rios.
— Muitas vezes tínhamos que ligar para uma pessoa ir lá na beira do rio, bater uma foto de uma régua e nos mandar. Algo muito rudimentar — relata.
Com novos investimentos em estações hidrometeorológicas, passou a ser possível acompanhar em tempo real os níveis de água, o que melhora a qualidade das previsões.
— Não conseguimos fazer uma previsão de qualidade se a gente não conseguir o retrato atual da situação dos corpos hídricos. Quanto maior o monitoramento, melhor a nossa absorção. Isso já demonstra uma evolução na resiliência da região — conclui.
Os planos de contingência municipais são apontados como ferramentas essenciais para orientar a atuação das prefeituras e da Defesa Civil em situações de emergência. Esses documentos estabelecem protocolos de ação quando um alerta é emitido, o que ajuda a evitar atrasos na tomada de decisões.
De acordo com os especialistas, esses planos precisam ser elaborados de forma coletiva, reunindo contribuições de universidades, órgãos públicos e da própria comunidade. Os estudos também podem auxiliar na revisão dos planos diretores das cidades, permitindo projetar cenários de risco para as próximas décadas e evitar a ocupação de áreas suscetíveis a inundações.
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