
Quedas de energia registradas ao ligar o chuveiro têm afetado moradores de condomínios no loteamento Umuharama, no Bairro São Gonçalo, em Pelotas. O problema ocorre há cerca de duas semanas e atinge dezenas de apartamentos, onde o fornecimento elétrico é interrompido sempre que a água do banho é acionada.
Em alguns casos, o dispositivo diferencial residual (DR) — equipamento de segurança que desarma automaticamente em situações de possível fuga de corrente — é acionado assim que o chuveiro começa a funcionar. Com isso, todos os aparelhos da residência são desligados, como geladeira, televisão.
Para moradores, a situação tem provocado transtornos no dia a dia.
— É um transtorno. Principalmente o banho. Agora mesmo eu começo a trabalhar a partir da noite, quero chegar de dia, tomar um banho e ir trabalhar, vai ser complicado. Só gelado, ou de canequinha — relata o porteiro Rodnei Vieira dos Anjos.
Situação atinge dezenas de apartamentos
No Condomínio Maria Clara Reserva, um dos empreendimentos afetados, 37 apartamentos enfrentam restrições no uso de energia elétrica.

Segundo o subsíndico Carlos Bica, uma avaliação foi realizada na rede interna do condomínio, mas não foram identificadas falhas.
— Nós fizemos uma avaliação interna do condomínio, de toda a rede, e está tudo ok. Aí veio o pessoal da Equatorial e fez a mesma avaliação, e está tudo tranquilo. Mas até então a gente não tem nada de concreto — afirma.
Possíveis causas investigadas
A construtora responsável pelo empreendimento informou que duas hipóteses estão sendo analisadas para explicar os desarmes do sistema elétrico: um possível desbalanceamento na rede de energia ou o aumento da condutividade da água.

De acordo com a gerente da empresa, Alessandra Silva, a segunda hipótese estaria relacionada ao aumento da salinização da água na região.
— Foi junto com a salinização da água, que ocorreu no fornecimento da água da Estação de Tratamento do São Gonçalo. A gente, para tentar ajudar os condôminos, coletou amostra de água. Em relação a outras amostras da cidade, o índice dessa região está bem alto, quase três vezes mais que outras regiões — explica.
Ela afirma que, com maior salinização, a água pode conduzir eletricidade em níveis mínimos.
— É uma condução de energia mínima, não causa nenhum prejuízo aos moradores, eles podem ficar tranquilos, mas é o suficiente para o sistema entender que tem uma fuga de energia e ele desarma — acrescenta.
Moradores aguardam solução
Enquanto a causa não é confirmada, moradores dizem esperar uma solução rápida para o problema.
— Frustração, né, porque tu paga a conta de luz todo mês certinho, paga condomínio certinho para ter uma resposta imediata, vamos dizer. E está demorando — afirma Rodnei.
O que dizem Equatorial e Sanep
Em nota, a CEEE Equatorial informou que não encontrou irregularidades na rede elétrica que atende a região. Técnicos estiveram no local e verificaram que a energia chega corretamente aos condomínios, o que indicaria que o problema é interno, relacionado aos sistemas de proteção do condomínio ou dos apartamentos.
A concessionária também informou que os relatos apontam que as ocorrências começaram após um temporal registrado na região.
Já o Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) afirmou que não teve acesso ao laudo técnico citado na reportagem. A autarquia destacou ainda que a água potável fornecida atende aos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde e não ultrapassa os limites de salinização previstos na legislação.
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