Um protesto contra a misoginia reuniu centenas de pessoas em frente ao campus Pelotas do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) nesta quarta-feira (25), após a circulação de uma lista com termos ofensivos de cunho sexual sobre alunas.

A mobilização começou por volta do meio-dia e foi organizada por cinco estudantes, com apoio de professores, familiares e integrantes da comunidade acadêmica. Segundo as alunas, o episódio foi o estopim para expor situações recorrentes dentro da instituição.
— Isso começou a partir da lista, mas na verdade vem de todos os assédios que a gente sofre todos os dias dentro do IFSul — relatou uma das organizadoras.
As estudantes afirmam que o movimento busca dar visibilidade a casos que, segundo elas, não vinham sendo enfrentados de forma efetiva.
— A gente denuncia, fala com a direção e muitas vezes não acontece nada. Então isso aqui é um movimento para que as coisas mudem — disse uma das manifestantes.

De acordo com as organizadoras, um grupo com mais de 400 pessoas foi criado para articular o ato, que ganhou adesão de diferentes cursos.
— Foi organizado por cinco pessoas e a gente conseguiu mobilizar muita gente. Esse é um movimento independente, das meninas — afirmou uma participante.
Alunas de cursos com predominância masculina também relataram episódios frequentes de machismo dentro da instituição.
— As meninas são descredibilizadas, escutam piadas machistas. Não é de hoje que isso acontece — disse outra estudante.
Para a professora Cristina Zanella Rodrigues, integrante do Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual (Nugeds) do IFSul, o episódio evidencia um problema estrutural.
— Esse coletivo surgiu justamente a partir de situações de misoginia. O que aconteceu agora mobiliza, mas não é algo isolado — afirmou.
Mãe relata preocupação e apoio ao ato
A mobilização também contou com a presença de familiares de estudantes. Para a mãe de uma aluna, o caso causou impacto e preocupação desde o início.
Ela relata que a situação chegou até a família por meio da filha, que questionava a postura da instituição diante do ocorrido. Para ela, o movimento organizado pelas estudantes representa uma reação importante diante de episódios recorrentes.
— Isso mostra que a gente não vai mais aceitar esse tipo de violência — afirmou.
A mãe ainda aponta uma mudança no tipo de preocupação entre os pais, que hoje não se limita à segurança fora de casa, mas também ao ambiente frequentado pelos filhos.
— Hoje a gente não tem só medo de violência na rua. Tem medo do que pode acontecer dentro desses ambientes também — disse.
Caso e investigação
A mobilização ocorre após a circulação de uma lista com cerca de 30 alunas no último final de semana, que eram avaliadas em categorias com conteúdo ofensivo de teor sexual. O material teria sido compartilhado entre estudantes por aplicativos de mensagem.
O IFSul suspendeu oito alunos apontados como responsáveis pela criação e disseminação da lista. A Polícia Civil já recebeu seis denúncias relacionadas ao caso, que é investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) como cyberbullying.
As estudantes afirmam que a expectativa agora é que a mobilização resulte em mudanças concretas dentro da instituição.
— A gente quer se sentir acolhida e protegida dentro da escola — disse uma das participantes.





