
O monitoramento na Estação Ecológica do Taim, entre Rio Grande e Santa Vitória do Palmar, registrou um total de 25 aves mortas por influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1). O último registro da doença ocorreu nesta sexta-feira (13).
A unidade de conservação foi interditada em 3 de março e permanecerá fechada até que a situação seja controlada. O monitoramento da área é realizado diariamente por equipes ambientais.
Qual a previsão de reabertura?
A reabertura da estação depende de critérios técnicos. Segundo o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Fernando Groff, a interdição segue um protocolo padrão de 28 dias sem novos registros.
— Estamos esperando os 28 dias tradicionais de pós-registro de aves mortas. O ICMBio estabeleceu uma restrição preventiva para reduzir a circulação de pessoas no ambiente. A expectativa é de que, com o fim da interdição, as limitações impostas pelo instituto também sejam encerradas — explica Groff.
Como funciona o monitoramento
Devido à vasta extensão da área e à dificuldade de acesso a partes da lagoa, a vigilância realiza vistorias diárias. Equipes percorrem a pé ou em barcos os pontos críticos para verificar índices de mortalidade e identificar se novas espécies foram atingidas. Os profissionais também utilizam drones para realizar varreduras aéreas em áreas de banhado onde o acesso humano é impossível.
Ao encontrar uma ave morta, amostras são enviadas a Porto Alegre. Os resultados são emitidos pelo laboratório oficial entre 48 e 72 horas após o envio. Com a confirmação de novos casos, o tempo de interdição pode ser prorrogado.
Entenda a "mortalidade aparente"
Groff ressalta que o número de 25 mortes é o que se chama de "mortalidade aparente". Na prática, o impacto real do vírus pode ser maior, mas a natureza dificulta a precisão.
— São milhares de hectares de área e não temos acesso a algumas partes, não conseguimos achar tudo. Na natureza, há muitos predadores e carniceiros, como jacarés e graxains, que consomem os animais mortos rapidamente — afirma o diretor.
Comparação com 2023
Apesar dos registros atuais, a mortalidade é considerada menor do que a observada no surto de 2023. A experiência anterior indica que não há risco iminente de extinção de espécies locais.
— Não chegou perto de um evento que extinguisse uma espécie ou a reduzisse dramaticamente. Mas segue sendo um risco. Não podemos normalizar a doença. É uma enfermidade grave, com potencial zoonótico, e não vamos deixar de trabalhar na área — diz Groff.


