
Anunciada em setembro do ano passado como alternativa para reduzir custos do transporte coletivo em Pelotas, a compra de 15 ônibus elétricos ainda não avançou além da fase preliminar. O projeto, que poderia aliviar despesas do sistema e ajudar a conter a pressão sobre a tarifa, segue em etapa de estudos técnicos e sem previsão para lançamento de edital.
O município foi contemplado com R$ 57 milhões do Novo PAC Seleções para a aquisição dos veículos sustentáveis. Apesar do recurso assegurado, a prefeitura informou à reportagem que o processo está em fase de “análise e amadurecimento”.
Segundo a administração municipal, o grupo técnico trabalha em três frentes principais:
- Reestruturação de linhas: avaliação de trajetos e quilometragem para compatibilizar a autonomia das baterias com a dinâmica urbana;
- Definição tecnológica: estudo dos modelos disponíveis no mercado e estimativa de vida útil;
- Infraestrutura de carga: planejamento dos pontos de recarga e análise da capacidade da rede elétrica local.
A proposta prevê que os 15 elétricos representem cerca de 10% da frota, atualmente composta por 145 veículos. Também está prevista a licitação de seis carregadores, mas os editais dependem da conclusão do diagnóstico técnico.
No ano passado, o Consórcio do Transporte Coletivo de Pelotas (CTCP) estimou que a chegada dos elétricos poderia reduzir a tarifa em cerca de R$ 0,15, ao evitar a renovação imediata de parte da frota a diesel — investimento calculado em aproximadamente R$ 12 milhões.
Enquanto o projeto permanece em estudo, o tempo passou e a tarifa foi reajustada. Desde terça-feira (3), a passagem subiu de R$ 6,00 para R$ 6,25. O valor ficou abaixo dos R$ 6,41 solicitados pelas empresas, mas a prefeitura segue dependendo de subsídios para manter a tarifa unificada entre as zonas urbana e rural.
Sem o aporte do Executivo, o custo técnico da passagem na zona rural poderia chegar a R$ 16,10 em 2026, conforme estimativas do sistema.
Embora o governo federal aporte a maior parte dos recursos para os elétricos, o município terá contrapartida de R$ 3 milhões e deverá gerir o financiamento ao longo de 20 anos.
O que diz a Prefeitura?
O processo relacionado à aquisição de ônibus elétricos para o Município de Pelotas encontra-se, neste momento, em fase de análise e amadurecimento técnico, ainda voltado à consolidação dos elementos necessários para a estruturação adequada da futura contratação.
Atualmente, as discussões concentram-se em três frentes principais. A primeira refere-se à possível reestruturação do desenho das linhas do transporte coletivo, considerando que a introdução de ônibus elétricos exige avaliação específica da operação, dos trajetos, da quilometragem diária, dos tempos de parada e da compatibilidade entre a autonomia dos veículos e a dinâmica do sistema urbano.
A segunda frente diz respeito ao reconhecimento técnico das tecnologias disponíveis e dos diferentes tipos de ônibus elétricos, com análise das características operacionais dos modelos existentes, suas capacidades, desempenho, necessidades de carregamento, vida útil dos sistemas e adequação às condições do município. Essa etapa é fundamental para subsidiar decisões mais seguras quanto ao tipo de solução a ser adotada.
A terceira frente está relacionada à avaliação da estrutura física necessária para os pontos de carregamento, abrangendo a verificação das condições de implantação da infraestrutura elétrica, disponibilidade de espaço, exigências técnicas, capacidade de fornecimento de energia e eventuais adaptações operacionais e estruturais que venham a ser necessárias.
Dessa forma, o projeto ainda se encontra em etapa preparatória, com foco na construção de um diagnóstico técnico consistente, capaz de orientar de maneira mais precisa o modelo de aquisição, a definição da tecnologia mais adequada e as condições de viabilidade da implantação do sistema.
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