
Começa na próxima quinta-feira (5) a segunda fase de depoimentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura a morte de Joaquim Klinger, de nove anos, ocorrida na Unidade de Pronto Atendimento Junção.
Instalada para investigar possíveis falhas no atendimento prestado no dia 27 de maio de 2025, data do falecimento do menino, a Comissão tem como objetivo esclarecer a sequência de procedimentos adotados pela equipe médica, os protocolos seguidos e eventuais responsabilidades administrativas.
Ao longo desta semana, devem ser ouvidos os dois médicos que estavam de plantão no dia do ocorrido, além de integrantes da equipe de enfermagem que atuaram no atendimento.
Na última quinta-feira (26) e sexta-feira (27), a CPI colheu os depoimentos dos pais da criança, Izabel Simch e Marcelo Klinger, bem como da secretária municipal de Saúde, Juliana Acosta.
Durante as oitivas, Izabel Simch e Marcelo Klinger responderam a questionamentos com base no relatório da sindicância administrativa concluída pela prefeitura.
Em depoimentos, os pais apontaram falhas no atendimento e sustentaram que a intubação deveria ter sido realizada com maior brevidade.
Os trabalhos da CPI tiveram início em dezembro. Na justificativa apresentada, os nove vereadores que votaram favoravelmente à instauração destacaram que a criação da comissão é essencial para garantir o pleno esclarecimento dos fatos.
— A decisão de arquivamento por parte do Executivo impede a plena elucidação dos fatos, compromete a confiança da população nos serviços públicos de saúde e viola o princípio da publicidade e do controle social — destaca o texto apresentado pelos parlamentares.
O prazo para a comissão finalizar os trabalhos é de 120 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 60 dias.
Caso é investigado pelo Ministério Público
Paralelamente à CPI, o caso é investigado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul. Nos próximos dias, oitivas também devem ser iniciadas.
— O promotor informou que, em breve, serão iniciadas as oitivas e outras diligências. A atribuição é toda do Ministério Público, mas a defesa pode oferecer auxílio e possíveis provas para que o promotor possa verificar se é pertinente — comenta Flávio Karam, advogado de defesa de Isabel.
Segundo o promotor de Justiça Leonardo Giron, até o momento, não há previsão de quando a investigação será concluída.
— A investigação se encontra em andamento e, no âmbito do Ministério Público, estritamente na apuração de eventual infração criminal. Não há prazo para conclusão — garante.
Relembre o caso
O atestado de óbito do dia 27 de maio de 2025 aponta que Joaquim morreu em decorrência de insuficiência respiratória e crise de asma. No dia anterior, ele havia sido atendido em um pronto atendimento particular, onde recebeu diagnóstico de laringite aguda.
De acordo com o prontuário, Joaquim deu entrada na UPA por volta das 3h10min, com sinais de crise asmática e possível complicação por H1N1. O quadro evoluiu com piora progressiva.
Segundo registros de enfermagem, às 5h foi sugerida pela primeira vez a intubação, mas o procedimento não foi realizado naquele momento. Com a piora clínica, a equipe voltou a alertar para o risco de parada cardiorrespiratória.
Cerca de 25 minutos depois, o menino sofreu parada cardíaca. O médico tentou intubação sem sucesso. Foram realizadas manobras de reanimação, mas Joaquim morreu às 7h15min.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.



