Localizado entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico, o município de Rio Grande é privilegiado por uma diversidade de habitats, que favorecem a presença de inúmeras espécies de aves migratórias, mamíferos, peixes e plantas nativas, muitas delas com papel essencial no equilíbrio ecológico da região.
A proximidade com áreas úmidas de importância internacional coloca o município em posição estratégica para a conservação ambiental, atraindo pesquisadores e observadores da natureza de todo o país.
— Rio Grande se diferencia de outras cidades, que tem um ecossistema muito rico, nós temos diversos ecossistemas no mesmo município, no mesmo ambiente. Tem banhados, lagoas, estuário, marismas, a praia, e esses ecossistemas são ricos em vida e tem uma grande biodiversidade — comenta Maria Carolina Weigert, bióloga e diretora do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema).
Estação Ecológica do Taim

Criada em 1986 e situada entre os municípios de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar, no sul do Estado, a Estação Ecológica do Taim tem 33 mil hectares entre a Lagoa Mirim e o Oceano Atlântico. É considerada um santuário de aves, principalmente aquáticas, com registro de cerca de 250 espécies.
A região é reconhecida pela concentração de fauna. Capivaras circulam livremente pelos banhados, enquanto o jacaré-de-papo-amarelo encontra nas áreas alagadas o habitat ideal para reprodução.
A estação também abriga graxains, lontras, mão-peladas e uma infinidade de espécies de aves, entre residentes e migratórias.
— Recebemos espécies que migram da América do Norte e também de outras regiões da América do Sul. O município se torna um local de parada estratégico, onde essas aves encontram alimento e condições mais amenas para escapar do inverno rigoroso de seus territórios de origem — complementa Maria Carolina.
Parque Natural Municipal da Barra

Instituída como Unidade de Conservação (UC) em 2024, o parque é formado por uma área de 439,66 hectares, na Praia do Cassino. A área do Parque é desde o final do Loteamento ABC X até a região dos Molhes da Barra, incluindo uma pequena porção do estuário da Lagoa dos Patos.
Dentro desse espaço é possível encontrar ecossistemas como dunas costeiras, campos, capinzais, banhados, marismas, águas rasas estuarinas e planos lamosos intermareais, que são aquelas áreas de transição onde há lodo.
Bosque das Caturritas
No balneário Cassino, um espaço chama a atenção pela tranquilidade e pela força da vegetação nativa: o Bosque das Caturritas. O espaço, instituído como área de preservação ambiental em 2025, funciona como um refúgio ecológico em meio à expansão urbana e turística.
Com árvores adaptadas ao ambiente costeiro, o bosque abriga aves, pequenos mamíferos e insetos que encontram ali abrigo e alimento. O nome faz referência às caturritas, aves de plumagem verde vibrante e canto marcante, bastante comuns na região.
Além da importância ambiental, o espaço também cumpre função social, servindo como área de lazer, educação ambiental e conscientização sobre a preservação dos ecossistemas costeiros.
Lagoa Verde
A Área de Proteção Ambiental da Lagoa Verde, situada no município de Rio Grande, foi instituída em 22 de abril de 2005 por meio da Lei Municipal nº 6084, com a finalidade de conciliar a conservação ambiental com o uso sustentável, garantindo a preservação de seus recursos naturais.

A APA inclui a Lagoa Verde e os arroios Bolaxa, Senandes e o Canal São Simão. Nesse espaço, também está localizado o Parque Urbano do Bolaxa.
— A ideia é não só proteger essas áreas, tanto urbanas como unidades de conservação, como também ajudar a fomentar atividades de turismo. Não só o ecoturismo tradicional, mais passivo, como o turismo regenerativo, que é aquele em que a pessoa ajuda a melhorar a área, evitando degradação ou recolhendo resíduos durante a visita — comenta Antônio Soler, secretário de Meio Ambiente.
O símbolo das águas

Poucas espécies representam tão bem a identidade ambiental de Rio Grande quanto o Boto-de-Lahille (Tursiops gephyreus), uma subespécie de golfinho que habita as águas da Lagoa dos Patos e da costa sul brasileira.
Reconhecido como patrimônio natural e cultural do município de Rio Grande desde 2023, o mamífero aquático tem sua maior concentração registrada no extremo sul da Lagoa dos Patos, com cerca de 90 a cem indivíduos por ano. Atualmente, a população total estimada dessa espécie é de apenas 600 animais.
Os botos podem medir até quatro metros de comprimento e pesar cerca de 500 quilos. O tempo de vida dos animais pode chegar, no máximo, a 45 anos.
A relação com o leão-marinho

Os leões‑marinhos‑do‑sul (Otaria flavescens) são visitantes regulares da Lagoa dos Patos.
Os mamíferos podem chegar a mais de dois metros de comprimento e centenas de quilos, realizam movimentos sazonais a partir de colônias reprodutivas na costa uruguaia e argentina, deslocando‑se para o norte em busca de alimento fora da época de reprodução.
Na região do estuário, os leões‑marinhos utilizam áreas como o Molhe Leste da Lagoa dos Patos para descanso fora da água, onde se deitam sobre pedras ou estruturas artificiais e recuperam energia entre mergulhos para se alimentar de peixes e outros recursos aquáticos.
Relatos e registros esporádicos mostram que esses animais às vezes chegam até áreas urbanas da margem da lagoa, como na Doca do Mercado Público de Rio Grande, chamando a atenção de moradores e visitantes.
Embora situações como essa sejam incomuns, elas refletem a conexão direta entre os ecossistemas aquáticos, a biodiversidade e a vida urbana da cidade, tornando o município um lugar único.
Preservação e monitoramento
Desde 1987, o Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema) atua em Rio Grande na preservação da biodiversidade local. Segundo Carolina, o trabalho iniciou por estudantes de oceanologia e perdura até os dias atuais com foco no monitoramento e conscientização.
— Os estudantes gostariam de compartilhar o conhecimento técnico e científico que eles recebiam na universidade com a comunidade geral. Essa foi a força motriz do nascimento do Nema e, desde então, a gente no monitoramento ambiental, a educação ambiental e o planejamento ambiental, com a conservação de diversas espécies de animais e com o trabalho de educação ambiental bastante forte — conclui.
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