
Desde 1º de janeiro de 2026, 8.234 acidentes envolvendo águas-vivas e caravelas-portuguesas foram registrados nas praias do Litoral Sul. O número já supera os 6.391 casos contabilizados no mesmo período da temporada de 2025.
Os dados incluem ocorrências nas praias do Cassino (Rio Grande), Mar Grosso (São José do Norte), Hermenegildo (Santa Vitória do Palmar), Barra do Chuí e Tavares.
Onde houve mais casos em 2026
- Cassino: 6.944
- Mar Grosso: 915
- Tavares: 179
- Hermenegildo: 78
- Barra do Chuí: 41
No mesmo período de 2025, os registros foram:
- Cassino: 5.502
- Mar Grosso: 283
- Tavares: 509
- Hermenegildo: 74
- Barra do Chuí: 23
Apesar do aumento, especialistas consideram o fenômeno dentro de um padrão sazonal.
Segundo o professor Renato Nagata, do Instituto de Oceanografia da Furg, há um período conhecido de maior incidência.
— Existe um período de maior ocorrência, especialmente entre a segunda quinzena de janeiro e meados de fevereiro, quando há picos concentrados em poucos dias. Isso está relacionado à sazonalidade dessas espécies, que chegam às praias durante o verão — explica.
Neste ano, porém, o aumento ocorreu mais cedo que o habitual. Além disso, pesquisadores identificaram indícios de que os casos ainda podem crescer.
— Na semana passada fizemos coletas no estuário do Cassino e de São José do Norte e encontramos muitas águas-vivas ainda não completamente desenvolvidas. Isso indica que a população ainda está crescendo e pode gerar novos acidentes nas próximas semanas — afirma.
Águas-vivas

A espécie mais comum envolvida nos acidentes é a Olindias sambaquiensis, água-viva de corpo em formato de sino e tentáculos urticantes.
Entre os fatores que favorecem a presença desses animais estão temperatura elevada da água, baixa ondulação e maior estabilidade do mar. A vazante da Lagoa dos Patos também pode contribuir para o aumento dos registros.
Caravelas-portuguesas

Apesar de também ser um cnidário, a caravela-portuguesa é diferente da água-viva e depende de outras condições para chegar ao litoral. O professor da Furg explica que a presença tem relação com a corrente marítima e os ventos, que ajudam a trazer as populações de áreas tropicais para o Sul, além de "empurrá-las" para a costa.
Enquanto a água-viva é um organismo individual, a caravela é uma colônia de vários organismos que vivem juntos e desempenham funções diferentes, como flutuação, alimentação e defesa. A estrutura que aparece na superfície da água parece uma bexiga azulada. Por baixo d'água ela tem tentáculos que podem atingir até 50 metros de comprimento.
Orientações em caso de queimadura
O Corpo de Bombeiros orienta que, em caso de contato com águas-vivas, a pessoa não deve esfregar a área atingida nem utilizar água doce, álcool ou urina, prática considerada um mito. A recomendação é lavar o local com água do mar e procurar atendimento nos postos de guarda-vidas, onde é aplicado vinagre para ajudar a neutralizar o veneno.
Em situações de dor intensa, mal-estar ou reações mais graves, a orientação é buscar atendimento médico.
Em dias de infestação, os guarda-vidas utilizam a bandeira roxa nas guaritas, que indica presença abundante de águas-vivas, em conjunto com as bandeiras que sinalizam as condições de banho.
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