
A presença de caravelas-portuguesas na Praia do Cassino, em Rio Grande, no sul do Estado mobilizou guarda-vidas e chamou a atenção de banhistas durante o feriado de Nossa Senhora dos Navegantes (2). Os animais foram vistos tanto na água quanto na faixa de areia, segundo relatos de veranistas.
De acordo com as equipes de salvamento, não há separação dos registros por espécie, mas somente na segunda-feira foram realizados 576 atendimentos por queimaduras causadas por caravelas e águas-vivas.
— Tivemos muitos casos no feriado. Elas estão espalhadas por toda extensão da praia, mas próximo aos Molhes da Barra a incidência foi maior — relatou o Capitão Gabriel Castro, responsável pela Operação Verão no Litoral Sul.
A caravela-portuguesa é formada por um conjunto de organismos que atuam de forma integrada, como se fossem um único ser vivo. Na superfície, tem aparência de uma bolsa azulada ou arroxeada inflada. Abaixo dela, ficam tentáculos que podem atingir vários metros e são responsáveis pelas queimaduras.
Conforme explica Renato Nagata, professor do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal de Rio Grande (Furg), a aparição de caravelas-portuguesas está ligada principalmente a corrente do mar e aos ventos.
— O vento sudoeste que soprou no final de semana empurra a água superficial, onde a caravela se encontra, e acaba levando ela para a costa — afirmou.
Em caso de acidente, a orientação é não esfregar o local atingido, retirar os tentáculos com pinça ou objeto rígido e aplicar compressa com vinagre. A vítima deve procurar atendimento com os guarda-vidas e buscar avaliação médica se apresentar sintomas como falta de ar, tontura ou mal-estar.
— É uma espécie mais tóxica de cnidário, que inclusive já causou óbitos com paradas cardiorrespiratória em crianças. O alerta é principalmente para os pequenos que têm tendências a desenvolver alergias. A recomendação é sempre evitar o banho de mar quando se tem caravelas na água.
Quando há grande quantidade de caravelas-portuguesas ou águas-vivas no mar, é hasteada bandeira roxa nas guaritas.

Mesmo depois de encalhada — já na orla da praia — o animal ainda oferece risco à população.
— Principalmente se for um encalhe recente, as toxinas podem demorar pra perder sua função e ele ainda é perigoso. É perigoso pisar ou tocar no animal. É importante ficar atendo às crianças e também à animais que estão na orla.
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