
Um filhote de tubarão-martelo foi encontrado morto na orla do Praia do Cassino, em Rio Grande, na terça-feira (17). O animal, encontrado por volta das 17h entre as guaritas 17 e 18, tinha pouco mais de 50 centímetros de comprimento e, segundo especialistas, era um recém-nascido.
A ocorrência é considerada comum nesta época do ano. A espécie utiliza a costa da região para reprodução durante o verão, especialmente entre dezembro e fevereiro.
O professor do Instituto de Oceanologia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Luiz Gustavo Cardoso explica que o exemplar aparenta ser da espécie Sphyrna zygaena, uma das que ocorrem no litoral gaúcho.
— Ele é, ao que tudo indica, um recém-nascido. Essa espécie tem parto em regiões costeiras no verão, e os animais nascem entre 49 e 55 centímetros. Pela imagem, parece ter pouco mais de 50 centímetros — afirma.
Segundo o pesquisador, a morte pode ter ocorrido por diferentes fatores.
— Pode ser que não tenha conseguido se alimentar nos primeiros dias de vida. Eles nascem com vitelo no estômago, que garante a sobrevivência inicial, mas logo precisam começar a caçar. Também pode ter sido capturado incidentalmente em rede de pesca de praia ou até na pesca esportiva, devolvido ao mar e não ter sobrevivido — explica.
Apesar do receio que a presença de tubarões costuma causar, o especialista reforça que não há motivo para alarme.
— A incidência de ataques na Praia do Cassino é baixíssima. São relatos muito esparsos. Não é algo que represente risco à população ou questão de saúde pública — destaca.
Além do tubarão-martelo, outras espécies utilizam a região costeira como área de parto. O objetivo é permitir que os filhotes encontrem peixes menores e iniciem a fase de alimentação antes de migrar para outras áreas do oceano.
Alertas
Ao avistar animais marinhos, a principal orientação é manter distância e evitar qualquer tipo de contato. Mesmo quando parecem debilitados, muitos desses animais estão apenas descansando durante migrações ou utilizando a praia como parte do seu ciclo natural. Quando os animais estão vivos, a aproximação pode causar estresse, interferir no metabolismo e reduzir as chances de sobrevivência, especialmente em filhotes ou indivíduos enfraquecidos.
A recomendação é observar à distância e acionar equipes especializadas, como o Centro de Recuperação de Animais Marinhos da Furg. A avaliação sobre a necessidade de resgate deve ser feita por profissionais capacitados. Mesmo quando mortos, não se deve tocar, alimentar, jogar água ou tentar devolver o animal ao mar, pois isso pode agravar a situação.
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