
Quase 2 mil animais silvestres são atendidos por ano no Núcleo de Reabilitação da Fauna Silvestre da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o Nurfs, localizado no município de Capão do Leão, no sul do Estado. O espaço recebe espécies que vivem livres na natureza e que precisaram ser resgatadas após acidentes, ferimentos ou por estarem órfãs.
O atendimento é integral e abrange desde a alimentação de aves de pequeno porte até o tratamento de mamíferos de maior porte, como capivaras. O Nurfs atende toda a Metade Sul e recebe, diariamente, animais encaminhados por órgãos de proteção ambiental e prefeituras da região.
Cada animal que chega ao núcleo carrega uma história diferente. Um dos casos recentes é o de um bugio resgatado após ser atropelado em uma rodovia.
— Eu encontrei ele atropelado em cima do asfalto. Os carros estavam passando em cima e eu parei para ver se estava vivo. Ele tem uma fratura. Então ele recebeu um primeiro atendimento pela nossa equipe. Nós já fizemos raio-x, onde identificamos que ele tem uma fratura bem na região do cotovelo — relata a professora de Medicina Veterinária da UFPel, Raqueli França, responsável pelo núcleo.
Segundo a professora, os atropelamentos estão entre as principais causas de entrada de animais adultos no centro de reabilitação.
— É uma rotina bastante comum. Chegam vários animais atropelados e, por conta dessas colisões com veículos, eles chegam, às vezes, em um estado muito grave de saúde aqui no Nurfs. Muitos deles acabam não conseguindo ser reabilitados — explica.
O núcleo também acolhe filhotes de mamíferos e aves. Tucanos com menos de dois meses de vida, por exemplo, recebem alimentação de hora em hora até que tenham condições de retornar à natureza. Quando a reabilitação é possível, os animais são soltos em áreas próximas ao habitat de origem.

O trabalho no Nurfs é realizado por servidores da universidade e estudantes. Alunos do curso de Medicina Veterinária participam ativamente da rotina de cuidados, conciliando aprendizado prático com a formação acadêmica.
— A gente vê, na prática, o que aprende na teoria, na sala de aula, ainda mais com animais silvestres, que não têm tanto espaço dentro da medicina veterinária em geral. Ter contato direto com esses animais aqui no Nurfs, principalmente os do Sul do Rio Grande do Sul, do Pampa Gaúcho, é muito importante para a formação — afirma a estudante Bárbara Ribeiro.
A orientação do núcleo é que, ao encontrar um animal silvestre ferido ou em situação de risco, a população acione a Polícia Ambiental ou a prefeitura do município. O manejo direto deve ser evitado, pois pode agravar o estado do animal ou colocar pessoas em risco.
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