
Há duas décadas, uma família de produtores rurais do interior do município de Canguçu atua como guardiã da nascente de um curso de água natural, localizada em posição estratégica e de grande importância para a região sul do Estado.
A propriedade, que pertence a uma família de cinco pessoas, abriga a nascente do Arroio Pelotas. O manancial percorre cerca de 60 quilômetros e deságua no Canal São Gonçalo, permitindo a ligação com a Lagoa dos Patos até o Porto de Rio Grande.
A nascente foi oficialmente identificada em 2003, mesmo ano em que o Arroio Pelotas foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Rio Grande do Sul pela lei estadual 11.895/2003.
O casal Nadir e Ivoni Schwartz adquiriu a propriedade no ano de 1997, antes da descoberta da nascente. A família, hoje com três filhos, Marina, Marcio e Marcelo, está na propriedade deste então, através do cultivo de tabaco e milho.
— Meus pais já moravam aqui quando um pessoal descobriu essa nascente. Eles vieram aqui e explicaram que tínhamos de preservar o local — conta Marina Schwartz.
Preservação e manejo
Segundo Marina, a família garante que a área ao redor da fonte não seja desmatada nem tenha contato com resíduos da produção agrícola. Por lei, eles devem manter a vegetação nativa intacta.
Como a fazenda produz tabaco e milho — culturas que utilizam defensivos agrícolas —, são necessárias técnicas específicas de manejo do solo. A principal medida é a implantação de curvas de nível nas lavouras, técnica usada para controlar o escoamento da chuva e impedir que resíduos sejam carregados para a água.
A geografia local também auxilia: a nascente fica em uma encosta íngreme e rochosa, imprópria para o plantio, o que cria uma zona de proteção natural.
— Em questão de plantação, a gente nem conseguiria plantar lá, porque é tudo bem inclinado. Além da preservação, tomamos cuidado com os agrotóxicos porque nossa cacimba de água está ali perto — explica a produtora.
Educação ambiental
Ao longo dos anos, o local tornou-se ponto de visitação para pesquisadores e escolas. Alunos e professores realizavam atividades de educação ambiental, como o plantio de árvores nativas. No entanto, Marina observa que, com a maior disponibilidade de informações online, as visitas presenciais diminuíram.
— Antigamente vinha muita gente, pesquisadores e muitas escolas. Agora, com o avanço da tecnologia, tem muita coisa na internet, aí não vem mais tanto pessoal — relata.
Mesmo sem receber incentivos financeiros governamentais, a família afirma sentir gratidão pelo papel que desempenha.
— É uma grande responsabilidade cuidar de uma coisa tão importante para todo o nosso Estado. Não é só para Canguçu, é para todo o Rio Grande do Sul — orgulha-se Marina.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.



