
A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas foi marcada, na tarde desta quinta-feira (26), pelo tradicional gesto de jogar arroz para o alto, simbolizando o início da safra 2026. A cerimônia ocorreu em Capão do Leão e reuniu produtores, autoridades, pesquisadores e lideranças do agronegócio.
Com o tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”, o evento destacou o momento desafiador enfrentado pelo setor orizícola, especialmente na metade sul do Rio Grande do Sul.
Em seu discurso, o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, ressaltou que a abertura simboliza mais do que o início de uma nova colheita.
— Celebramos não apenas mais uma safra, mas a resiliência, a inovação e a capacidade de superação do produtor — afirmou.
Ele lembrou que a programação do evento foi planejada ainda no fim de 2024, já prevendo um 2025 difícil para o setor, marcado por excesso de oferta, estoques elevados e queda nos preços internacionais, agravados pela retomada das exportações da Índia e pela grande produção no Brasil e nos países do Mercosul.
Redução de área e ajuste de mercado
O dirigente destacou que as entidades representativas defenderam a redução de área plantada na safra 2025/2026, medida considerada necessária para equilibrar oferta e demanda.
— Não é confortável falar em diminuir produção numa região que precisa tanto de renda e emprego, mas era necessário para reduzir estoques e permitir a recuperação dos preços — pontuou.
Segundo ele, dados da Companhia Nacional de Abastecimento já indicam recuo na produção, movimento visto como fundamental para uma reação do mercado.
Durante o dia, foi anunciado o aporte de R$ 73,6 milhões para operações de PEP e PEPRO, recursos destinados a apoiar a comercialização do arroz no momento da colheita.
Apesar disso, Denis defendeu crédito facilitado, renegociação de dívidas e seguro rural mais robusto diante do cenário de juros altos, endividamento e dificuldade de acesso a financiamento.
Ciência e tecnologia no campo
Além das pautas econômicas, a abertura da colheita também evidenciou o papel da pesquisa agropecuária. O diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Clenio Nailto Pillon, destacou a importância histórica da estação experimental onde ocorre o evento.
— Estamos em uma estação histórica para o país, que atua desde 1943, ainda como Instituto Agronômico do Sul, e que depois, com a criação da Embrapa em 1973, consolidou o compromisso com o desenvolvimento de tecnologia para a agricultura — afirmou.
Segundo ele, a parceria entre Embrapa, produtores e entidades públicas e privadas foi determinante para o salto de produtividade registrado nas últimas décadas.
— Nos anos 1970 o Brasil era importador de arroz. Hoje produz alimentos para mais de um bilhão de pessoas no mundo. Isso é resultado de investimento em ciência e tecnologia, em genética e em sistemas de produção — ressaltou.
Pillon também chamou atenção para as inovações apresentadas nesta edição, como o arroz preto, uma das novidades que ampliam o portfólio de cultivares e agregam valor ao produto.
— O compromisso da Embrapa é seguir junto com nossas parcerias, ofertando conhecimento e tecnologia para o desenvolvimento da cadeia orizícola e do país — completou.
União da cadeia produtiva
Com cerca de 230 estandes, a feira reuniu fornecedores de insumos, máquinas, equipamentos e empresas da indústria, evidenciando a integração da cadeia produtiva.
Ao encerrar a cerimônia, Denis Dias Nunes reforçou que, apesar das dificuldades, o futuro das terras baixas é promissor, sustentado por união, inovação e capacidade de adaptação.
O próximo encontro já tem data marcada: 23 de fevereiro de 2027.
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