
Passados quase nove anos das demissões em massa de 2016, os novos anúncios de contratos para a construção de navios reacendem a esperança entre os trabalhadores do Polo Naval de Rio Grande. Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Rio Grande e São José do Norte, Benito Gonçalves, o momento é de expectativa, mas também de cobrança por prazos concretos.
— Desde dezembro de 2016, quando mais de 3,6 mil metalúrgicos foram demitidos, a gente nunca deixou de sonhar com a retomada do setor naval. Lutamos, dialogamos e buscamos apoio do governo federal. Ver o presidente voltar a Rio Grande para anunciar um segundo contrato nos dá esperança de continuidade — afirma.
Apesar do clima mais otimista, Benito destaca que há ansiedade entre os trabalhadores diante da demora para o início do primeiro contrato anunciado.
— Muita gente está sofrendo e perguntando por que o primeiro contrato ainda não saiu do papel. Nós estamos cobrando. Não adianta o governo fazer a parte dele se a empresa não fizer a dela. Queremos que isso comece logo — diz.
Impacto vai além dos estaleiros
Segundo o dirigente sindical, a retomada do Polo Naval tem impacto direto em toda a economia de Rio Grande, não se restringindo aos empregos industriais.
— O polo naval não dialoga só com os metalúrgicos. A cidade inteira sofreu. Comércio fechado, lojas encerrando atividades. Quando o polo funciona, todo mundo trabalha: do comércio à prestação de serviços — ressalta.
Mesmo apoiando os anúncios do governo federal, o sindicato afirma que seguirá atuando de forma ativa.
— Esperança nós temos e ninguém vai deixar de comemorar uma retomada do setor naval. Mas o papel do sindicato de pressionar para que isso comece de fato não vai parar — reforça.
Burocracia e engenharia explicam demora
Benito explica que, após a Operação Lava Jato, os processos ficaram mais rigorosos, o que amplia o intervalo entre a assinatura dos contratos e o início das obras.
— Ganhar um edital não significa começar imediatamente. Existe uma série de etapas: documentação, certificações, seguradoras, liberação de recursos, engenharia e compra de materiais — detalha.
Segundo ele, parte da engenharia brasileira foi desestruturada após a crise do setor, o que leva empresas a buscar serviços fora do país. Além disso, insumos essenciais são importados.
— As chapas de aço, por exemplo, vêm da Turquia. Só o transporte leva cerca de 60 dias. Existe um atraso natural, mas queremos que esse processo seja acelerado ao máximo — afirma.
Sindicato mantém diálogo
O presidente do sindicato afirma que há diálogo permanente com a Ecovix e com o governo federal, e que o sindicato atua para destravar entraves.
— Quando não tem diálogo, a gente força. Muitas vezes pressionamos os dois lados. O sindicato fiscaliza condições de trabalho, mas também precisa garantir emprego. Sem emprego, não existe sindicato, não existe empresa, não existe nada — pontua.
Sobre o início das contratações, Benito evita cravar datas.
— Falam em março, mas quem vai dizer quando começa de verdade é a engenharia. É ela que libera os projetos e autoriza a compra dos materiais. Isso ainda está em andamento — conclui.
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