
Pelotas aparece como a cidade com o metro quadrado mais barato do Brasil entre os 56 municípios monitorados pelo Índice FipeZAP. Segundo a pesquisa divulgada nesta terça-feira (6), o preço médio de venda de imóveis residenciais no município é de R$ 4.353 por metro quadrado, o que representa cerca de R$ 217,6 mil para um imóvel de 50 metros quadrados.
O levantamento integra o Índice FipeZAP, considerado uma das principais referências do mercado imobiliário no país. A pesquisa acompanha a evolução dos preços de venda e locação de imóveis residenciais e comerciais com base em milhões de anúncios publicados na internet, permitindo análises comparativas entre cidades, tipos de imóveis e, em alguns casos, até por bairro.
No recorte nacional, o preço médio de venda dos imóveis residenciais nas cidades monitoradas ficou em R$ 9.611 por metro quadrado em dezembro. Considerando esse valor, um apartamento de 50 metros quadrados custou, em média, R$ 480,5 mil, mais que o dobro do registrado em Pelotas.
A pesquisa também aponta diferenças de preço conforme o perfil do imóvel. Os apartamentos de um dormitório apresentaram preço médio mais elevado, de R$ 11.669 por metro quadrado, enquanto os de dois dormitórios foram negociados, em média, a R$ 8.622 por metro quadrado.
Na outra ponta do ranking aparece Balneário Camboriú (SC), cidade mais cara entre os municípios analisados, com valor médio de R$ 14.906 por metro quadrado. Nesse patamar, um imóvel de 50 metros quadrados chega a custar cerca de R$ 745,3 mil. Entre as capitais, Vitória (ES) lidera, com R$ 14.108 por metro quadrado, seguida por Florianópolis (R$ 12.773) e São Paulo (R$ 11.900).
O estudo mostra ainda que nenhuma das cidades monitoradas registrou queda nos preços em 2025. No ano anterior, Santa Maria havia sido o único município a apresentar recuo, de 1,5%.
No acumulado nacional, comprar um imóvel residencial ficou, em média, 6,52% mais caro em 2025, a segunda maior alta anual dos últimos 11 anos, atrás apenas de 2024. Como a inflação ao consumidor no período foi estimada em 4,18%, os preços dos imóveis tiveram uma valorização real de 2,24%.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon Pelotas), Marcos Fontoura, o resultado de Pelotas no ranking está diretamente ligado ao perfil da produção imobiliária local.
— Pelotas é uma cidade com renda média mais baixa, e a maior parte dos lançamentos é de empreendimentos econômicos, muitos deles vinculados ao Minha Casa Minha Vida. Isso puxa o preço médio do metro quadrado para baixo — explica.
Segundo ele, embora existam imóveis de médio e alto padrão no município, eles representam uma parcela pequena da oferta total.
— Existem empreendimentos com metro quadrado de R$ 9 mil ou R$ 10 mil, mas em volume muito menor. Quando esses dados entram na média junto com milhares de unidades econômicas, o resultado final acaba sendo esse — afirma.
Fontoura avalia que o dado chama atenção nacionalmente, mas também reflete o cenário socioeconômico da cidade.
— Liderar esse ranking não é exatamente uma boa notícia. Mostra uma cidade com déficit habitacional e uma população cuja capacidade de compra é menor. O mercado constrói aquilo que o público consegue pagar — conclui.
O Índice FipeZAP é elaborado a partir de uma parceria entre a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e o Grupo ZAP e é considerado uma das principais referências do mercado imobiliário no país. O indicador acompanha a variação dos preços de venda e locação de imóveis residenciais e comerciais com base em milhões de anúncios veiculados na internet, permitindo análises comparativas entre cidades e tipos de imóveis e indicando, no recorte nacional, valorização dos preços acima da inflação nos últimos anos.





