
Considerado um dos marcos da era industrial de Pelotas, o prédio da antiga Companhia Fiação e Tecidos Pelotense, fundado em 1908, está oficialmente à venda no valor de R$ 13,18 milhões.
Atualmente, o prédio segue sob administração da sexta geração da mesma família. A reportagem procurou os proprietários, que preferiram não comentar sobre a venda.
Localizado na área da Várzea, próximo ao Canal São Gonçalo, o edifício histórico começou a produzir tecidos em 1910 e acompanhou o desenvolvimento industrial e urbano da cidade no início do século 20.
Na época, a economia de Pelotas era praticamente toda voltada para o charque, transportado por navios para o Nordeste brasileiro. No entanto, o retorno dessas viagens gerava custos elevados, incluindo o chamado “frete morto”, referente ao espaço do porão do navio que voltava vazio.
Para reduzir esses custos e aproveitar melhor o comércio marítimo, foi construída uma fábrica de fiação e tecelagem de algodão na cidade. O local foi fundado pelo Coronel Alberto Roberto Rosa e por Plotino Amaro Duarte, figuras da alta sociedade, também fundadores do Banco Pelotense.
Embora reconhecido por seu valor histórico, o imóvel sempre foi de propriedade privada, sem vínculo direto com o município.
— O fato dele ser declarado de interesse do patrimônio cultural, seja no nosso inventário municipal ou em casos de tombamento estadual ou federal, não altera a propriedade do imóvel. No caso da Fiação e Tecidos, trata-se de um prédio de responsabilidade privada — explica Otávio Peres, secretário de Urbanismo de Pelotas.
Entre as ruas Almirante Tamandaré, Giuseppe Garibaldi, Uruguai e Xavier Ferreira, o terreno ocupa um quarteirão inteiro. A área total é de 13.511 m².
Em sua arquitetura, o prédio possui características industriais com influências do Ecletismo, originário da Europa no século 19. Esse estilo, típico do contexto de revolução industrial, é caracterizado por grandes galpões com telhados em serra, para iluminação e ventilação e uso de alvenaria.
A fábrica que construiu uma comunidade
Ao longo de décadas, a fábrica foi um importante centro de trabalho, empregando centenas de operários em setores de fiação, tecelagem, acabamento e revisão. A mão de obra feminina era predominante neste contexto.
Segundo o livro de registro de Sócios do Sindicato de Empregados das Indústrias de Fiação e Tecelagem de Pelotas, no ano de 1946, cerca de 464 mulheres e 164 homens trabalhavam na fábrica. Em 1953, o número de trabalhadores era de 511 mulheres e 266 homens.
Atualmente, o prédio mantém sua identidade industrial e é utilizado para usos contemporâneos, incluindo empresas metalúrgicas, escritórios administrativos e um espaço de eventos.
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