
A tradicional Festa de Iemanjá da Praia do Cassino chega à 51ª edição neste ano. Considerado patrimônio cultural do Estado, o evento deve reunir cerca de 150 mil pessoas para celebrar a orixá conhecida como Rainha das Águas.
O Dia de Iemanjá é comemorado em 2 de fevereiro mas a programação no Balneário Cassino terá início no dia 30 de janeiro e segue até o dia 2, com encerramento na orla da praia. A festa é organizada pela União Rio-grandina de Cultos Umbandistas Afro-brasileiros Mãe Iemanjá (Urumi), em parceria com a Prefeitura do Rio Grande.
Segundo a presidente da Urumi, mãe Maria, a organização do evento vem sendo discutida desde outubro.
— Estamos realizando reuniões desde outubro para a organização da festa. Agora, nos próximos dias, teremos uma última reunião com a prefeitura e a Brigada Militar para definir questões de segurança e suporte aos fiéis. Precisamos disso para divulgarmos a programação nos próximos dias — comenta.
Durante o mês de janeiro, o Cassino costuma receber dezenas de representantes de centros umbandistas que acampam nas proximidades do Campo do Praião para participar das festividades. No ano passado, além do público gaúcho, a região também recebeu casas umbandistas de Santa Catarina e do Uruguai.
— Temos muito terreiros de fora, de Bagé, Santa Maria, Santa Catarina. Eles ficam no campo ou alugam casas e no momento da festa todos se reúnem. Estamos aguardando todos com muita alegria para homenagear nossa grande mãe — complementa a presidente da Urumi.
Caminhada de fé
Anualmente, milhares de fiéis pagam promessas realizando a caminhada até o monumento de Iemanjá. Para quem sai do centro de Rio Grande, o trajeto é de aproximadamente 24 quilômetros.

Mesmo com a distância, a fé é o que motiva essas pessoas a saírem de casa todos os anos, como é o caso da rio-grandina Nicolle Santos, que há sete paga a promessa.
— O que me motivou a iniciar a caminhada é a minha fé pela Iemanjá e sempre pedindo saúde e proteção. Conforme os pedidos vão dando certo, temos ainda mais motivos para agradecer — relata Nicolle.
Anualmente, a fiel relata que realiza o trajeto pela rodovia RS-734, porém, no ano passado, ela decidiu ir pela orla da Praia, carregando uma bolsa com bolos, que posteriormente foram doados para uma instituição de caridade.
— Levamos em torno de quatro a cinco horas para fazer o trajeto da cidade até o Cassino, que é mais ou menos 18 quilômetros pela RS-734. No ano passado, fiz o trajeto pelo outro lado, em que passei pelo Distrito Industrial e depois pela Praia, deu mais ou menos seis horas. Foi o ano que distribui bolo — complementa.
Neste ano, Nicolle afirma que irá participar do momento de devoção de outra forma.
— Como estou grávida, não sei se irei aguentar o percurso, mas, com certeza, estarei presente de alguma maneira — finaliza.
O percurso até o monumento pode ser feito tanto pela RS-734 quanto pela BR-392. Nos últimos anos, ambos os trajetos passaram a contar com postos de apoio que oferecem água, frutas e até sessões de massagem.
O suporte começou a ser disponibilizado após o aumento no número de participantes da caminhada, a partir de parcerias entre a organização da festa, a prefeitura e o empresariado local.
Conforme Miguel Satt, secretário do Cassino, reuniões ainda estão sendo realizadas para definir quais locais contarão com pontos de apoio aos fiéis.
Tradição iniciada pela mobilização popular
Consolidada atualmente como um evento fixo no calendário do município, a Festa de Iemanjá da Praia do Cassino teve início há mais de cinquenta anos a partir da união da fé dos rio-grandinos.
De acordo com Elis Cardoso, secretária da Urumi, antes mesmo da instalação do monumento de Iemanjá na Praia do Cassino, terreiros do município já realizavam a entrega de oferendas no local no dia 2 de fevereiro.
Com o aumento da participação dos fiéis, uma mobilização liderada pela Urumi promoveu jantas e rifas que possibilitaram a construção do monumento no local onde permanece até hoje. A estátua foi desenvolvida pelo escultor rio-grandino Érico Gobbi.

A construção da escultura teve início em 1970 e foi concluída em 1971. Nesse período, a população também arrecadou recursos para a aquisição da obra, comprada por 35 mil cruzeiros. Após diversas especulações sobre o local de instalação, ficou definido que a estátua seria colocada na Praia do Cassino, e não na Praça Xavier Ferreira. A inauguração ocorreu em 1º de fevereiro de 1976.
A festa passou a integrar oficialmente o calendário de eventos do município por meio da Lei nº 5.291, de 7 de janeiro de 1999, após a legitimação da umbanda, reconhecida oficialmente pelo Censo em 1966.
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