
A revoada intensa de morcegos no Centro de Pelotas, registrada por vídeos em redes sociais ao longo dos últimos dias, tem gerado dúvidas entre moradores e comerciantes. Por isso, a reportagem de GZH Zona Sul foi atrás de respostas.
O fenômeno - que é atípico pelo volume - é explicado por possíveis intervenções em abrigos naturais: os telhados, utilizados pelos animais silvestres que estão em fase reprodutiva.
A espécie encontrada no centro do município é a Tadarida brasiliensis, considerada uma aliada do ecossistema no controle de insetos e pragas, especialmente em lavouras. Veja o vídeo:
Segundo a professora Ana Rui, docente do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal, Departamento de Ecologia, Zoologia e Genética, Instituto de Biologia, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o comportamento atípico indica que uma colônia maternidade pode ter sido desalojada.
A principal suspeita é de que prédios antigos ou casas em demolição no Centro tenham tido seus telhados fechados ou destruídos sem o manejo adequado. Como o período entre setembro e março marca a época reprodutiva da espécie, os animais estão com filhotes que ainda não voam.
— O que vimos naqueles vídeos é uma situação de desespero. O abrigo foi destruído na época errada — alerta a pesquisadora, que ressalta que intervir em abrigos de animais silvestres durante a reprodução é um crime ambiental.
Aliados, não inimigos
Os morcegos que vivem no centro de Pelotas são estritamente insetívoros, ou seja, se alimentam basicamente de insetos. Um único morcego de 12 gramas pode consumir até três gramas de insetos em uma única noite, funcionando como um inseticida natural para a cidade e para as lavouras da região.
— Não existiria vida humana em Pelotas sem os morcegos. Vivemos cercados por banhados, e eles são os responsáveis por controlar as nuvens de insetos e pragas agrícolas que atingem o milho e a soja — explica a professora.
A especialista critica o termo "expurgo", utilizado por empresas de dedetização. Segundo ela, a prática correta é o manejo. No verão, quando as fêmeas estão prenhes ou amamentando, qualquer intervenção é proibida.
A orientação é que o manejo — que consiste em vedar as frestas após a saída dos animais para se alimentar — seja feito apenas no outono e inverno (a partir de maio), quando não há filhotes dependentes nos ninhos.
— A tendência moderna é a coexistência. Precisamos entender que eles prestam um serviço ambiental inestimável e que o problema, muitas vezes, é a má conservação dos nossos próprios telhados — conclui a docente.
O que fazer se encontrar um morcego?
A professora do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal, Departamento de Ecologia, Zoologia e Genética, Instituto de Biologia, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Ana Rui, reforça que o medo de transmissão de raiva é alimentado por desinformação, mas que cuidados básicos são essenciais:
- Não toque no animal: Nunca pegue um animal silvestre com as mãos desprotegidas. Se o animal estiver no chão ou em local indevido, use um balde ou pá para movê-lo.
- Mantenha janelas fechadas ao anoitecer: No verão, os filhotes estão aprendendo a voar e podem entrar nas casas por erro de navegação. Use telas ou feche as venezianas ao escurecer.
- Não ataque: Morcegos não atacam humanos e não se prendem no cabelo. Se um entrar em sua casa, abra as janelas e apague as luzes para que ele encontre a saída sozinho.
- Procure ajuda: Em caso de colônias em prédios, contate o Centro de Controle de Zoonoses ou órgãos ambientais.
Quais as orientações do poder público?
A Prefeitura de Pelotas, por meio do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Secretaria Municipal de Saúde, informou que presta orientação à população sobre como proceder em casos de presença de morcegos em residências ou prédios.
O contato pode ser feito por mensagem de texto ou áudio pelo WhatsApp (53) 99964-7827, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30min às 17h30min. Aos finais de semana, as orientações podem ser obtidas junto ao Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193, ou à Patrulha Ambiental (Patram) da Brigada Militar, pelo número (53) 98429-7812.
Segundo o município, quando há registro de um morcego caído, ferido ou fora da colônia, o CCZ pode realizar a captura de um exemplar para encaminhamento a diagnóstico, a fim de verificar a existência de doenças que representem risco à saúde pública.
Em situações de suspeita de contato com morcegos, a Prefeitura informa que o caso é avaliado e, se necessário, ocorre o encaminhamento para profilaxia antirrábica, tanto para pessoas quanto para animais de estimação, com vacinação gratuita.
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