
A Zona Sul do Estado possui 44.919 pessoas vivendo em favelas ou comunidades, segundo dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os 21 municípios que compõem a região, apenas cinco registram a presença dessas áreas.
Pelotas lidera o número de aglomerados urbanos, com 36, seguida por Rio Grande, com seis. Canguçu e Capão do Leão possuem duas favelas cada enquanto Cristal tem apenas uma.
O IBGE define favela ou comunidade como localidades ou moradias que apresentam ausência ou oferta precária de serviços públicos, situadas em áreas com restrições à ocupação ou risco ambiental.
— Quanto maior a cidade, maior a migração de moradores do entorno, que tentam a sorte na cidade “grande” e acabam sofrendo as mazelas sociais de uma realidade com oportunidade limitadas — comenta a cientista social e política, Elis Radmann.
Perfil das comunidades de Pelotas
Em Pelotas, a população residente em favelas é de 36.677 pessoas, correspondendo a 11,26% da população total do município.
Os domicílios nessas áreas somam 14.884 unidades, distribuídos por 36 favelas urbanas, entre elas Anchieta, Barão de Mauá, Balsa, Bom Jesus, Campo do Osório, Canal Santa Bárbara, Corredor do Contorno, Cristóvão José dos Santos, Darci Cazarré, Doquinhas, Dunas, Leito da Via Férrea.
Em relação a idade média da população, essa é de 29 anos, enquanto 43,3% das pessoas têm 60 anos ou mais. Com relação à escolaridade, 94,37% da população das favelas é alfabetizada, ante 97,19% da população total do município.
A distribuição por cor ou raça mostra 63,21% de pessoas brancas, 18,12% negras e 18,59% pardas, de acordo com o Censo.
— No caso de Pelotas, trabalhadores com saberes do campo chegaram na zona urbana com baixa escolaridade e se tornaram trabalhadores braçais de famílias de baixa renda. Conforme seus filhos iam crescendo, procuravam áreas mais remotas para se estabelecer, mantendo um padrão de baixa renda ou chegando na classificação de vulnerabilidade social e assim o ciclo se mantém — complementa a socióloga.
Em termos de infraestrutura, 54,5% dos domicílios têm conexão com rede de esgoto, 95,83% têm abastecimento de água pela rede geral e 98% contam com coleta de lixo.
Rio Grande cinco mil pessoas em favelas, segundo IBGE
Em Rio Grande, há 5.022 pessoas residentes em favelas. As regiões Getúlio Vargas, Santa Tereza, Mangueira, Henrique Pancada, Roberto Socoowski e Dom Bosquinho são as consideradas aglomerados urbanos.
Conforme o IBGE, a população residente dessas regiões é composta, em sua maioria, por pessoas com idade média de 29 anos. A alfabetização atinge 93,59% dos moradores e há 94 homens para cada 100 mulheres.
Em relação à cor ou raça, 62,78% da população é branca, 14,2% negra e 22,84% parda. Quanto à infraestrutura, 5,28% das residências não possuem água canalizada.
A realidade por trás dos números

Por trás das estatísticas que dimensionam a presença de favelas e comunidades na Zona Sul, há histórias que revelam a precariedade cotidiana enfrentada pelas famílias.
Em Rio Grande, uma das áreas classificadas pelo IBGE como aglomerados subnormais é a região da estrada Roberto Socoowski, onde a população convive com a falta de serviços essenciais.
Segundo os moradores, a regularização fundiária e o acesso pleno à infraestrutura seriam passos essenciais para garantir dignidade e segurança às cerca de 40 famílias que dividem o mesmo espaço.
— A gente luta, mas parece que ninguém enxerga que aqui moram famílias de verdade — relata Camila Correia, moradora de uma das casas de ocupação.
Para a cientista social Elis Radmann, um conjunto de fatores históricos e estruturais afeta a qualificação profissional da população e contribui para a vulnerabilidade social.
— A ausência de uma vocação industrial limita o desenvolvimento pessoal dos trabalhadores e diminui as suas perspectivas fazendo com que a região Sul tenha índices de [adesão ao] Bolsa Família maiores do que a região norte — comenta.
Demais cidades da Zona Sul
Os municípios de Capão do Leão, Canguçu e Cristal também possuem favelas e comunidades, embora em número menor, refletindo o tamanho e a distribuição da população nessas cidades.
Em Canguçu, vivem 569 pessoas em favelas, o que representa 1,15% da população total do município. Essas comunidades estão concentradas em áreas como Vila Mesko e Vila São Francisco, somando 260 domicílios.
Em Capão do Leão, a população residente em favelas é de 1.910 pessoas, equivalente a 7,21% do total de habitantes. Os 883 domicílios localizam-se principalmente nas áreas de Vila Maria e Vila Nova Viaduto, correspondendo a 7,25% do total de residências do município.
Já em Cristal, 741 pessoas vivem em favelas, o que representa 10,15% da população local. Os 310 domicílios dessas comunidades correspondem a 8,76% do total de residências do município.



