
O número de queimaduras causadas por águas-vivas na Praia do Cassino, em Rio Grande, já é 20 vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Desde o início da temporada de verão, em 20 de dezembro, já foram contabilizados 4.088 atendimentos por esse tipo de acidente.
No ano passado, entre os dias 21 e 30 de dezembro, haviam sido registrados 197 casos. Somente na segunda-feira (29), os guarda-vidas atenderam 889 pessoas com queimaduras provocadas pelos animais. Em toda a temporada de 2025, foram registradas 11.400 ocorrências.
De acordo com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), o Rio Grande do Sul é o Estado brasileiro com maior número de acidentes envolvendo águas-vivas.
Segundo o professor Renato Nagata, do Instituto de Oceanografia, há um padrão sazonal já conhecido, que costuma se intensificar durante o auge do verão.
— Existe um período de maior ocorrência de águas-vivas, especialmente entre a segunda quinzena de janeiro e meados de fevereiro, quando há picos de acidentes concentrados em poucos dias. Isso está relacionado à sazonalidade dessas espécies, que chegam às praias justamente durante o verão — explica.
Neste ano, no entanto, o aumento expressivo dos casos ocorreu mais cedo do que o habitual, ainda no início da temporada.
— Em 2024, os picos aconteceram mais para o fim de janeiro e fevereiro. Em 2025, a ocorrência se adiantou. Na natureza, esses ciclos não são exatos, mas alguns fatores ajudam a prever quando eles podem acontecer — afirma Nagata.

Entre esses fatores estão alta temperatura da água, baixa ondulação e maior estabilidade do mar, condições observadas nos últimos dias no Cassino.
— Períodos com pouca ondulação, água mais parada e temperaturas elevadas favorecem a concentração de águas-vivas próximo à costa, aumentando o risco de acidentes — detalha Nagata.
O professor também aponta que a vazante da Lagoa dos Patos pode contribuir para o aumento dos registros.
— Em situações de vazante, as águas-vivas podem se acumular dentro da lagoa e depois serem levadas para a Praia do Cassino. A menor salinidade, combinada com baixa ondulação e água quente, cria condições ideais para a maior ocorrência desses animais — explica.
As espécies mais comuns envolvidas nos acidentes são, principalmente, a Olindias sambaquiensis. Já a caravela-portuguesa, considerada mais venenosa, não teve registro significativo neste ano.
— Tivemos apenas alguns indivíduos isolados de caravela-portuguesa. Em anos de infestação, o banho se torna muito mais perigoso, porque é um animal que vem de alto-mar e pode ser empurrado para a costa por ventos específicos — afirma.
Orientações em caso de queimadura
O Corpo de Bombeiros orienta que, em caso de contato com águas-vivas, a pessoa não deve esfregar a área atingida nem utilizar água doce, álcool ou urina, prática considerada um mito. A recomendação é lavar o local com água do mar e procurar atendimento nos postos de guarda-vidas, onde é aplicado vinagre para ajudar a neutralizar o veneno.
Em situações de dor intensa, mal-estar ou reações mais graves, a orientação é buscar atendimento médico.
Em dias de infestação, os guarda-vidas utilizam a bandeira roxa nas guaritas, que indica presença abundante de águas-vivas, em conjunto com as bandeiras que sinalizam as condições de banho.
Casos registrados na Zona Sul (até 29 de dezembro)
- Praia do Cassino: 4.088
- Praia da Capilha: nenhum caso
- Praia do Mar Grosso: 13
- Praia de Tavares: 14
- Praia do Hermenegildo: 133
- Barra do Chuí: 31
- Praia do Laranjal: nenhum caso




