
Há cerca de um mês, moradores e comerciantes do entorno do Presídio Regional de Pelotas reclamam de problemas no sinal de telefonia, em decorrência da instalação de um bloqueador de sinal na unidade prisional.
Desde então, os residentes afirmam enfrentar quedas totais ou quase totais no sinal de telefone, dificuldades de acesso à internet 4G e 5G, falhas em roteadores que utilizam rede móvel e interrupções no funcionamento de máquinas de cartão, o que impacta diretamente o comércio local.
Diante desse cenário, a Polícia Penal do Rio Grande do Sul informou que acompanha de forma contínua o funcionamento dos bloqueadores de sinal, com o objetivo de aperfeiçoar o serviço e garantir que o bloqueio ocorra exclusivamente nas áreas internas dos presídios, conforme previsto em contrato.
Segundo Bruno Martins, proprietário de uma padaria nas proximidades, a falta de sinal compromete o funcionamento de celulares, máquinas de cartão e até mesmo do telefone fixo do estabelecimento.
— Às vezes, os clientes não conseguem fazer Pix porque o sinal é instável, e isso acaba trazendo prejuízo — relata.
Moradores também apontam dificuldades desde o dia 12 de novembro, quando os problemas teriam se intensificado. Marisete Cardoso, que vive nas proximidades da unidade prisional, afirma que a instabilidade no sinal tem dificultado até mesmo o uso de aplicativos de transporte.
— A gente não consegue chamar carro de aplicativo por causa do sinal. Está bem complicado; é preciso chamar com meia hora de antecedência para conseguir chegar a tempo — comenta.
Diante da situação, o Ministério Público (MP) instaurou um inquérito na última quinta-feira (11) para apurar as causas das falhas. De acordo com o MP, a investigação teve início após o recebimento de um abaixo-assinado, entregue por 78 moradores, que associam o início dos problemas à ativação de um novo bloqueador de sinal no presídio.
Conforme o promotor responsável pelo caso, José Alexandre Zachia Alan, a apuração está em fase inicial, com coleta de evidências. Como primeiras medidas, o Ministério Público determinou a realização de uma vistoria técnica na área para verificar a extensão do problema.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também foi acionada e deverá prestar esclarecimentos no prazo de 20 dias.
Veja a nota da Polícia Penal
A Polícia Penal já notificou a empresa responsável pela instalação de bloqueadores de sinais no Presídio Regional de Pelotas para que corrija eventuais vazamentos de bloqueio e para que cumpra o determinado no contrato, ou seja, o bloqueio apenas na área interna da unidade prisional.

