
A faixa de lama que atingiu cerca de dois quilômetros da orla da Praia do Cassino se ampliou nesta semana e já soma quatro quilômetros interditados.
Inicialmente, o bloqueio compreendia o trecho entre a Rua Rio de Janeiro e o canal de drenagem Farroupilha. Agora, a área afetada também alcança o lado oposto, nas proximidades da estátua de Iemanjá, no sentido Querência.
De acordo com a Secretaria de Município do Cassino, a região está sendo sinalizada com pequenos morros de areia, utilizados para separar o acúmulo de material da área ainda limpa.
A orientação é para que moradores e turistas evitem circular pelo local, já que o solo permanece escorregadio e não há segurança quanto à profundidade da lama.
— Não recomendamos um banho nesse trecho onde houve um expurgo de lama, justamente porque não sabemos a profundidade do barro não só na orla da praia, como também do mar — afirma o secretário do Cassino, Miguel Satt.
O que causou a intensificação da lama?
Segundo uma professora do Instituto de Oceanografia da Furg, Elisa Fernandes, o acúmulo de lama observado na região pode estar ligado tanto à Lagoa dos Patos quanto ao fluxo do Rio da Prata, no Uruguai.
Ela comenta que toda a água que deságua no Atlântico passa pelos molhes da barra, uma área onde as correntes tendem a ser menos intensas.
Essa menor circulação favorece a formação de um banco de lama, que teria sido reforçado pelo material trazido pelas enchentes do ano anterior, acumulando-se próximo à Praia do Cassino.
Além disso, a ocorrência do ciclone extratropical nesta semana também pode ter favorecido esse cenário de intensificação da lama em outras áreas.
— Esse banco de lama é muito dinâmico, ele não é estático e se estende ao longo de uma faixa da nossa região costeira. Provavelmente, foi isso que aconteceu essa semana, porque nós tivemos esse ciclone, teve uma ressaca bem forte na praia, e esse sedimento deve ter sido remobilizado em outra parte, ao longo da sua extensão e transportado para a praia — explica Elisa.
Apesar do cenário, Satt ressalta que a praia continua preparada para receber os veranistas.
— Temos uma vasta área de praia que possibilita múltiplas atividades. Podem continuar procurando o Cassino, porque haverá ainda um longo trecho para aproveitarem — enfatiza o secretário.
Dragagem
O aparecimento de lama na orla da Praia do Cassino sempre é relacionado pela população com as dragagens realizadas pela Portos RS no canal de acesso. Porém, a instituição garante que o fenômeno não tem relação com a obra.
Em nota, o Porto de Rio Grande afirmou que o aparecimento de lama na região “está associado à dinâmica natural da região”.
— Assim como ocorreu no ano passado, período em que não havia dragagem em execução — diz o documento.
A Portos RS afirma que a lama está diretamente relacionada às alterações na vazão da Lagoa dos Patos (mudança no curso da corrente), influenciada pelas chuvas — situação intensificada por eventos climáticos extremos, como a enchente de 2024.
Além disso, garante que realiza o despejo de sedimentos nos locais indicados pelo Ibama. Os materiais dragados são descartados em uma área específica a cerca de 15 quilômetros da saída dos Molhes da Barra.



