
O resgate de um jacaré em uma casa no Laranjal, em Pelotas, no último domingo (30), chamou a atenção para a presença do animal na região e levantou dúvidas sobre a espécie. O animal é mais comum do que parece em Pelotas e em toda zona sul do Estado.
Existe apenas uma espécie de jacaré que ocorre no Rio Grande do Sul, o Caiman latirostris, conhecido como jacaré-de-papo-amarelo. Esses animais têm em média dois metros de comprimento. O ciclo de vida é longo e pode ultrapassar os 70 anos de idade.
A coloração dos animais varia entre verde-oliva e marrom escuro. Possuem pernas curtas, patas com unhas grandes, focinhos curtos, largos e que produzem uma mordida forte.
Segundo o biólogo responsável pelo manejo de animais silvestres do Núcleo de Reabilitação da Fauna Silvestre (Nurfs) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Marco Antonio Coimbra, a presença do réptil é mais comum no período da primavera e do verão, época reprodutiva da espécie na região.
O jacaré-de-papo-amarelo está associado a locais como banhados, arroios, rios, lagos, lagoas e lagunas, o que explica a ocorrência na Praia do Laranjal e regiões próximas ao Arroio Pelotas.
— As áreas residenciais de onde são encontrados jacarés em nossa região são vizinhas a corpos d'água, como banhados e arroios, que, com o passar dos anos, vêm sofrendo com o avanço da área urbana do município.
Cuidados ao encontrar o jacaré
O Nurfs indica algumas orientações a quem encontrar um jacaré-de-papo-amarelo. Primeiro, é importante observar o local onde está o animal e manter distância por segurança.
— Se o animal estiver em área residencial ou de grande circulação de pessoas, é importante informar os órgãos fiscalizadores para avaliar a necessidade ou não de intervenção — explica Coimbra.
Outro risco possível no contato com esses animais é a transmissão de doenças. Os jacarés, assim como outros animais, possuem microrganismos associados à sua microbiota que podem causar enfermidades, como as bactérias dos gêneros Salmonella e Leptospira.
Então, em uma situação de encontro com um jacaré-de-papo-amarelo, é preciso ligar algum dos órgãos fiscalizadores, como:
- Patrulha Ambiental da Brigada Militar de Pelotas (Patram): (53) 98428-7444
- Corpo de Bombeiros: 193
- Secretaria de Qualidade Ambiental: (53) 99171-2870
Não é permitido ferir ou matar o animal, sendo considerado crime ambiental.
Como é feita a soltura
Os órgãos responsáveis fazem a soltura de jacarés em áreas úmidas — como banhados, arroios, rios, lagos e lagoas. No caso dos animais que são encaminhados ao Núcleo, eles passam por exames clínicos onde os profissionais coletam amostras de material biológico para avaliar sua saúde.
A dieta e a importância para o ecossistema
A dieta dos jacarés-de-papo-amarelo varia de acordo com a idade do animal. Quando jovens, alimentam-se de moluscos e insetos. Os adultos consomem moluscos, peixes, aves, répteis, anfíbios e pequenos mamíferos.
Os jacarés são predadores no topo da cadeia e são importantes para regular populações de outras espécies animais. Eles ajudam a controlar populações de Pomacea, uma espécie de caramujo aquático que se alimenta da lavoura de arroz.
Atualmente, a espécie não integra a lista vermelha de espécies ameaçadas de extinção. No entanto, o jacaré-de-papo-amarelo constava na relação nas décadas de 1980 e 1990.
Relembre o caso do resgate no Laranjal

O Corpo de Bombeiros de Pelotas realizou o resgate de um jacaré que invadiu uma propriedade no bairro Laranjal nesse domingo (30). O réptil foi encontrado em um depósito de ferramentas e utensílios da casa.
O animal ofereceu resistência à guarnição, necessitando o uso de laço cambão, fita e corda para ser imobilizado com segurança.
O proprietário da residência informou que o jacaré costumava se esconder em um açude do local, e que ele já havia atacado um dos cães da família, além de devorar carpas que eram mantidas na água.
Após a captura, o jacaré foi devolvido ao seu habitat natural em uma barragem afastada da zona urbana.
