
A presença recorrente de pontos impróprios para banho na Praia do Laranjal, em Pelotas, gera dúvidas frequentes entre moradores e veranistas sobre os motivos que levam a cidade a enfrentar esse cenário com maior regularidade do que outras praias do Estado. Segundo o Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep), a situação está relacionada principalmente a fatores climáticos e às condições hidrológicas e geográficas da Lagoa dos Patos.
A explicação é do diretor-presidente do Sanep, Ellemar Wojahn, ao comentar o boletim de balneabilidade divulgado pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). De acordo com Wojahn, a qualidade da água nos balneários do Laranjal, Balneário dos Prazeres e Totó depende da combinação de três fatores naturais: menor volume de chuvas, ventos favoráveis e salinização da lagoa — condições que não têm ocorrido de forma simultânea nos últimos meses.
— Nós dependemos bastante da condição climática para a balneabilidade do Laranjal e dos balneários de Pelotas. Precisamos de pouca chuva, ventos favoráveis e da salinização da lagoa — explica.
A primavera foi marcada por chuvas frequentes e acima da média, o que aumentou significativamente a quantidade de água doce acumulada na Lagoa dos Patos. Esse cenário, aliado à ausência de ventos que favoreçam a entrada de água salgada pelo estuário, dificulta a renovação da água e contribui para a elevação da presença de bactérias, como a Escherichia coli, parâmetro utilizado na análise da balneabilidade.
— Tem chovido bastante, os ventos não têm favorecido a salinização da lagoa e, consequentemente, temos muita água doce. Essas três condições acabam impactando diretamente a qualidade da água — detalha Wojahn.
Além do clima, a própria geografia da região influencia esse processo. Diferentemente de praias oceânicas, onde a água se renova com maior rapidez, a Lagoa dos Patos funciona como um grande reservatório natural, no qual a água permanece por mais tempo.
— A nossa geografia faz com que a água fique armazenada e não corra tão rápido. A renovação depende muito da ação do vento, que é o responsável por empurrar a água do mar para dentro da lagoa e promover a salinização. Em outras praias, a água circula com mais facilidade — explica o diretor do Sanep.
Atualmente, dos oito pontos monitorados em Pelotas por meio de convênio entre o Sanep e a Fepam, cinco estão classificados como impróprios para banho. Os demais apresentam condições adequadas, conforme os critérios estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
— Hoje, dos oito pontos acompanhados, temos três próprios e cinco impróprios para banho. Isso é resultado direto dessas condições climáticas que ainda não foram favoráveis — afirma Wojahn.
Apesar do cenário desfavorável, a avaliação é de que a situação pode melhorar em janeiro, caso se confirmem as previsões de redução das chuvas e mudança no regime de ventos.
— A tendência é de melhoria com menos chuva e com a salinização da lagoa. Essas condições devem favorecer a balneabilidade nos próximos boletins — projeta.
O diretor-presidente do Sanep ressalta, no entanto, que além das condições naturais, os investimentos em saneamento seguem sendo fundamentais para a melhoria estrutural da qualidade da água a médio e longo prazo.
Enquanto isso, a orientação à população é acompanhar os boletins semanais da Fepam e respeitar a sinalização instalada nos pontos monitorados, evitando o banho em locais classificados como impróprios.
O Projeto Balneabilidade da Fepam realiza análises semanais durante a temporada de verão, com divulgação sempre às sextas-feiras, indicando as condições das praias e balneários do Rio Grande do Sul.
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