
A pesquisadora e designer Jéssica Oliveira, natural de Piratini, no sul do Estado, é uma das vencedoras do Design for a Better World Award (DFBW), uma das principais premiações da área do design no país.
O reconhecimento veio pelo desenvolvimento do Sind, um aplicativo multiplataforma voltado para assistência de pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Jéssica é designer de UX/UI e formada pelo Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul).
A quinta edição da premiação, promovida pelo Centro Brasil Design (CBD), ocorreu em Curitiba, no Museu Oscar Niemeyer na última quinta-feira (27). O evento recebeu mais de 300 inscrições e premiou 57 projetos. O Sind concorreu na categoria Conceito, destinada a projetos ainda estão em desenvolvimento.
Os projetos são avaliados com base em quatro impactos: inovação, design, impacto ambiental e socioeconômico. O Sind obteve uma classificação excelente nas quatro áreas, com a nota mais baixa sendo 9 de 10.
— Foi um prazer poder estar no evento e ver tantos profissionais renomados. Foi muito incrível compartilhar e ter o meu trabalho exposto daquela forma para tantos especialistas. Fico feliz de ter um projeto meu caracterizado como um design para um mundo melhor — diz Jéssica.
Como funciona o aplicativo
Atualmente, o Sind é um projeto conceito, não possui desenvolvimento de código completo e ainda não está disponível no mercado para ser baixado ou vendido.
Ele é uma plataforma voltada para organização de tarefas e rotina. Sua função é auxiliar pessoas com TDAH, funcionando como um assistente ou uma "parte externa do cérebro" para auxiliar nas funções em que há déficit.
O objetivo principal é auxiliar na organização, no foco e no combate à procrastinação e à paralisia que muitas vezes impedem as pessoas com esse transtorno de realizar tarefas.
Para isso, o aplicativo utiliza mascotes para promover o engajamento do usuário. Eles atuam como assistentes que chamam, falam e cobram a pessoa, ajudando a estruturar a rotina e o dia a dia. Existem quatro mascotes: para foco, procrastinação, organização e o principal, Alume, para o déficit de atenção.
— Infelizmente, para pessoas que têm TDAH, é necessário aquela vozinha que não para de chamar, incomodar, para que elas consigam realizar algo. Então os mascotes vão criar esse local de "estou aqui para te ajudar", "vou te incentivar e vou te cobrar também" — explica a designer.
O serviço está sendo desenvolvido para ser utilizado em diversos dispositivos (computador, celular, smartwatch) sem perda de dados, permitindo que o usuário inicie uma tarefa em um local e a continue em outro.
O projeto foi desenvolvido por Jéssica em conjunto com seu orientador, professor Vinícius Krieger da Costa.
Projeto surgiu de uma pesquisa de TCC
O Sind nasceu como o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de bacharelado em Design no IFSul. O projeto, até a entrega do TCC, durou cerca de um ano. A pesquisa teórica inicial, que levou cerca de seis meses, envolveu o estudo aprofundado sobre TDAH, design e diretrizes de acessibilidade.
A ideia surgiu de uma experiência pessoal da criadora, que sentia a falta de uma estrutura externa adequada para lidar com as consequências do TDAH e não encontrava plataformas no mercado que funcionassem de fato.
— A ideia surgiu durante uma aula no bacharelado em Design, quando uma professora questionou o que eu mudaria na minha vida, se pudesse. A primeira coisa que pensei foi o meu TDAH. Ele me incomodava muito naquela época, e eu enfrentava questões de déficit de atenção muito fortes — relata Jéssica.
Como resultado da conquista no Design for a Better World Award, Jéssica ganhou a inscrição para o iF Design Awards, considerada a mais importante premiação do mundo do design.
— Quanto mais o Sind for reconhecido, mais fácil será colocá-lo no ar. Nosso objetivo é que ele esteja funcionando para que as pessoas possam utilizá-lo, fazendo com que o projeto cresça e leve o nome do IFSul e da nossa escola de Design cada vez mais longe — conclui.
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