
A obra Orla do Saco da Mangueira, que inclui a construção de um dique de proteção na Lagoa dos Patos, na região norte do município de Rio Grande, deve ser encaminhada para o processo licitatório no início de 2026.
O projeto executivo foi finalizado em 2018, porém apenas neste ano a administração municipal recebeu o montante de R$ 65 milhões destinado à sua execução. O empreendimento foi contemplado pelo PAC Seleções, programa do governo federal.
A iniciativa tem como objetivo realizar a contenção da orla nos bairros Dom Bosquinho, Lar Gaúcho e Navegantes, regiões historicamente afetadas por alagamentos da Lagoa dos Patos. A área de intervenção totaliza aproximadamente 243 mil metros quadrados, abrangendo 1,2 quilômetro de orla, desde a Avenida Major Carlos Pinto até a Refinaria Rio-Grandense.
De acordo com Glauber Gonçalves, secretário de Habitação e Regularização Fundiária, o plano prevê a construção de uma nova via elevada ao longo da orla, funcionando como um dique que impede a entrada da água da lagoa nas áreas urbanas.
A intervenção pretende deslocar a margem da lagoa cerca de 50 a 80 metros para dentro da água, criando aterros e novas áreas que poderão receber projetos habitacionais futuramente.
— A estrada será construída numa cota mais alta do que a cota de inundação do Saco da Mangueira. Assim, protegemos a cidade e, ao mesmo tempo, permitimos a circulação de veículos, pessoas e bicicletas — explica.
O projeto também contempla tratamento ambiental, com isolamento por aterro de área de solo contaminado por lixo nas margens do corpo d'água.
Se o dique for construído, os terrenos que ficarão na área serão considerados de marinha e passarão para responsabilidade da Secretaria de Patrimônio da União (SPU).
Residências devem ser realocadas

Um dos pontos críticos do projeto é a necessidade de realocar algumas residências localizadas na área do antigo traçado do canalete da Avenida Major Carlos Pinto. Inicialmente, 62 edificações foram mapeadas, mas ajustes no traçado podem reduzir o número de famílias afetadas para cerca de 32.
— Estamos trabalhando para impactar o menor número possível de famílias. Aqueles terrenos, após a execução do dique, poderão ser utilizados para novos projetos habitacionais que melhorem a qualidade de vida dessas pessoas — afirma o secretário.
Para a construção do dique, seria necessária também a implantação de um novo sistema de drenagem na cidade - a água da chuva precisará ser captada por canaletas, redes de drenagem e estações de bombeamento.
— É uma obra de engenharia complexa. O dique protege a cidade, mas sem a drenagem adequada, a água da chuva não conseguiria sair para a lagoa. Precisamos restaurar o canalete original e instalar estações de bombeamento para situações extremas — conta.
Embora o financiamento inicial seja de R$ 65 milhões, estima-se que serão necessários recursos adicionais para concluir todas as etapas da obra, incluindo melhorias na drenagem e ações ambientais complementares.
Moradores relutam em sair de casa

Muitas famílias demonstram resistência em deixar suas residências. A área mapeada para a realocação inclui casas construídas há décadas, onde moradores criaram vínculos afetivos e cotidianos.
— Vivo aqui desde criança e sempre vi a lagoa invadir a rua quando chove muito. Sei que precisamos de proteção, mas temos medos de ter que deixar nossa casa — comenta Paulo Martins, 58 anos, morador do bairro Lar Gaúcho.

