Prof. Dr. Eraldo dos Santos Pinheiro, vice-reitor da Universidade Federal de Pelotas
Pelotas vive um tempo raro. Pela primeira vez, temos uma vice-prefeita negra e um vice-reitor negro na Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Esses marcos não são apenas simbólicos: reorganizam referências, ampliam horizontes e mostram que o poder público e a universidade podem dividir o mesmo compromisso com justiça social, diversidade e desenvolvimento territorial.
A cidade estruturou, de forma inédita, a Secretaria de Igualdade Racial e a Secretaria das Mulheres — duas pastas que qualificam o enfrentamento às desigualdades raciais e de gênero e que reposicionam politicamente a periferia, as mulheres e a população negra. Nos próximos anos, eventos como o Congresso Presença Negra e a Festa da Cultura Negra 2026 devem fortalecer ainda mais essa agenda.
Na universidade, caminhamos no mesmo sentido: criamos a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade, ampliamos a reserva de vagas docentes para 40% de pessoas negras, indígenas e quilombolas, instituímos políticas de compra de livros de autores e autoras negros, fortalecemos a reserva de vagas na pós-graduação e seguimos com o processo seletivo especial indígena e quilombola como porta de entrada para estudantes historicamente excluídos.
Mas o que mais me interessa neste momento é a convergência entre cidade e universidade. Pelotas e UFPel começaram a operar como um arranjo colaborativo capaz de reposicionar a região no cenário nacional. O Pelotas Global, construído entre Prefeitura, UFPel e IFSul, inaugura uma estratégia conjunta de internacionalização, inovação e desenvolvimento econômico e cultural. Já a Copsul, organizada pelas mesmas três instituições, projeta Pelotas como polo de debates sobre clima, ambiente e desenvolvimento social e de tomadas de decisões relevantes para o país.
Quando poder público e universidade se reconhecem como parceiros estruturantes — e não como esferas isoladas — criamos condições reais de transformação. Pelotas vive isso agora. E não se trata apenas de representatividade, mas de projeto. Estamos desenhando caminhos em que inclusão, conhecimento e política pública formam um mesmo movimento.
O território avança quando caminhamos juntos e juntas. E Pelotas está, finalmente, experimentando essa potência compartilhada.