
No país do futebol, qualquer dia pode ser dedicado ao esporte mais popular do planeta. Mas 19 de julho tem um significado especial já que é oficialmente o Dia Nacional do Futebol, criado para homenagear o Sport Club Rio Grande, o clube mais antigo em atividade no Brasil.
A data foi instituída em 1976 pela então Confederação Brasileira de Desportos (CBD), atual Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em referência ao aniversário de fundação do clube rio-grandino, em 19 de julho de 1900.
Embora outras associações esportivas tenham sido criadas antes, seus departamentos de futebol surgiram posteriormente ou deixaram de funcionar ao longo do tempo. Por isso, o Vovô mantém o reconhecimento de clube mais antigo em atividade no país.

A principal contestação ao título parte da Ponte Preta, fundada em 11 de agosto de 1900, apenas 23 dias depois do Rio Grande. O clube paulista sustenta que o Vovô teria encerrado, em determinado momento, as atividades do departamento de futebol, o que não há registros.
A disputa chegou à Justiça. Em outubro de 2022, a 1ª Vara Cível de Rio Grande condenou a Ponte Preta por uso indevido da marca "clube de futebol mais antigo do Brasil", fixando indenização de R$ 2 milhões por danos morais, além de outras medidas.
Segundo o vice-presidente do Rio Grande, Cláudio Santana, o valor ainda não foi recebido.
— Não pingou nada ainda. Nosso advogado segue trabalhando. Estamos no aguardo e ansiosos — informa.
Em agosto do ano passado, a Justiça determinou o bloqueio de bens do clube paulista até a quitação da indenização.
O nascimento do futebol no extremo sul
A história do Sport Club Rio Grande está diretamente ligada à chegada do futebol ao Estado.
O clube foi fundado por jovens, filhos de imigrantes alemães e ingleses, que retornavam da Europa trazendo o esporte na bagagem. Entre eles estava Arthur Cecil Lawson, que mais tarde daria nome ao estádio da equipe.
O pioneirismo do Rio Grande ajudou a espalhar o futebol pelo Estado. Em 1903, uma excursão da equipe a Porto Alegre influenciou a fundação do Grêmio. Anos depois, em 1909, também contribuiu para o surgimento do Inter.
Na própria cidade, o Vovô inspirou ainda a criação do Riograndense e do São Paulo.
Momento atual
O campeão gaúcho de 1936 não participa da primeira divisão estadual desde 2000, quando foi convidado para disputar a edição do seu centenário. A última grande conquista do Vovô foi o título da Terceirona de 2014. No ano seguinte, o time foi rebaixado e retornou à Série B, onde permanece até a atual temporada.
O Rio Grande é o único time que já venceu as três divisões do futebol gaúcho e sonha em repetir a campanha de 2014. Na última temporada, o Vovô conquistou a classificação ao mata-mata, mas bateu na trave e foi eliminado na semifinal.
Neste ano, o regulamento da Terceirona mudou. A competição, que começa em setembro, abandonou o formato regionalizado e passou a ser Sub-23, sem a utilização de fichas especiais. A diretoria do Vovô não aprovou a mudança e alega que o fim da regionalização na fase de grupos vai gerar um prejuízo entre R$ 60 mil e R$ 70 mil.
O Vovô ainda não conhece a tabela, mas sabe que fará quatro das nove partidas da primeira fase no Estádio Arthur Lawson. O clube conseguiu o Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI) do local nesta semana e voltará a mandar seus jogos em casa após duas temporadas.
Preparação para a temporada
Pela sexta temporada consecutiva, o técnico Cládio Jr. comandará a equipe. A apresentação do elenco, que terá entre 25 a 28 atletas, está marcada para 5 de agosto.
Antes da estreia oficial, o clube disputará a Santa Rosa Cup, entre terça-feira (21) e domingo (26), utilizando a competição como observatório para reforçar o elenco Sub-23.
— Vamos levar o nosso Sub-20 para jogar a Santa Rosa Cup e também observar atletas de outras equipes. A Terceirona ficou mais difícil porque agora é Sub-23. Temos três clubes em Rio Grande, além do Farroupilha, em Pelotas. Fica complicado montar elenco apenas com jogadores da região. Vamos precisar buscar atletas de fora — afirma Santana.
Depois de bater na trave e cair nas semifinais de três das últimas cinco temporadas, a diretoria acredita que o clube chega mais preparado para conquistar o acesso.
— Já estamos um pouquinho mais calejados. Sabemos o que a gente precisa para conseguir o acesso. Precisa trazer um ou outro atleta, mesmo novo, mas que tenha rodado um pouquinho. Então a gente vai tentar fazer isso dentro das dificuldades que o clube enfrenta — conclui o dirigente.
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