
A vitória da Noruega por 2 a 1 sobre o Brasil, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, teve um significado especial para um morador do sul do Estado. Natural de Rio Grande, o cônsul honorário da Noruega no Rio Grande do Sul, Arthur Rocha Baptista, acompanhou a partida dividido entre a torcida pela Seleção Brasileira e a responsabilidade de representar oficialmente o país europeu.
Nomeado para o cargo neste ano, Baptista afirma que viveu o confronto com sentimentos distintos.
— Eu sou gaúcho de Rio Grande. Portanto, do berço do futebol brasileiro — diz.
Torcedor da Seleção e representante oficial da Noruega na Região Sul, ele conta que recebeu o resultado com um misto de frustração e reconhecimento pelo desempenho dos adversários.
— Na qualidade de torcedor da seleção brasileira e também representante local da Noruega, recebi com um misto de decepção pela nossa atuação verde-amarela e reconhecimento de que venceu um time mais organizado e consciente dentro de campo — relata.
A classificação colocou a Noruega entre as oito melhores seleções da Copa e reforçou o bom momento da geração liderada pelo atacante Erling Haaland.
Para Baptista, a campanha da equipe europeia não chega a ser uma surpresa.
— Sim. O futebol é uma grande paixão na Noruega e a atual geração de jogadores é muito qualificada e talentosa. Eles estão levando a Copa muito a sério, mas com leveza e alegria; nisso, o futebol brasileiro, de outrora talvez, é uma referência para os noruegueses. Acredito que possam ir muito longe — afirma.
Relação vai além da imigração
Embora a imigração tenha marcado a presença norueguesa no Rio Grande do Sul, Baptista afirma que a parceria entre o Estado e a Noruega hoje é impulsionada principalmente pelas áreas econômica, empresarial e acadêmica.
Segundo ele, mais de 300 empresas norueguesas atuam no Brasil. No Estado, companhias como Yara, Odfjell e Statkraft mantêm operações em setores ligados aos fertilizantes, à logística portuária e à geração de energia.
— Contamos com a pujança de empresas como Yara, Odfjell e Statkraft nos setores estratégicos de fertilizantes, terminais portuários e energia. Essas empresas, para além dos investimentos e empregos, trazem consigo uma cultura corporativa muito interessante, com foco em segurança e bem-estar das pessoas — ressalta.
O cônsul também destaca o fortalecimento das parcerias entre universidades brasileiras e norueguesas, especialmente em pesquisas nas áreas de oceanologia, energia e aquicultura.
— Tem também um grupo de gaúchos bem ativo lá na Noruega, chamado "Vikings de Bombacha". Eles têm feito um trabalho bacana de apresentar a nossa cultura por lá — analisa.
Durante grandes competições esportivas, a comunidade norueguesa no Estado costuma promover encontros para acompanhar os jogos da seleção.
— Os encontros são organizados pela própria comunidade e, eventualmente, pelas empresas de origem norueguesa, a depender do dia do jogo — explica.
Frio e tradição aproximam gaúchos e noruegueses
Na avaliação de Baptista, apesar da distância de quase 11 mil quilômetros entre o Rio Grande do Sul e a Noruega, os dois povos compartilham características culturais semelhantes.
A primeira comparação vem em tom de brincadeira.
— Nos últimos dias, o frio — brinca.
Em seguida, ele cita aspectos que considera mais profundos, como a valorização da natureza, das tradições e da identidade cultural.
— Brincadeiras à parte, vejo semelhanças na resiliência dos nossos povos, na identidade cultural marcante, com respeito à história e tradições, e no cultivo de hábitos simples. Os noruegueses são muito ligados à natureza, à vida no campo ou nas montanhas. O que eu posso dizer é que, quanto mais conheço, mais admiro a sociedade norueguesa — finaliza.
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