
A eliminação ainda na primeira fase da Série D deixou lições importantes para o Brasil de Pelotas. Emerson da Rosa, chefe do departamento de futebol, reconhece a frustração pelo resultado dentro de campo e afirma que os problemas identificados já estão sendo ajustados para a sequência da temporada.
Segundo o dirigente, que estará em Pelotas na próxima semana, a campanha na Série D teve um começo animador, mas caiu a partir da Recopa Gaúcha, diante do Inter, no Bento Freitas:
— Começamos muito bem. Através disso se cria uma expectativa muito grande, não só em nós que estamos à frente do projeto, mas em todos que estavam assistindo. [...] Fizemos um jogo contra o Inter espetacular. Para mim, ali é um divisor de águas, porque nós entendíamos que depois daquela partida o Brasil poderia ter crescido ainda mais em função do que fez. Tivemos uma queda de rendimento inexplicável. Quando se faz uma partida do nível que fizemos contra um time de Série A, não se entende como acontece uma queda tão grande — avalia.
Diagnóstico e reformulação
Na visão do dirigente, o principal problema do Brasil na Série D esteve na incapacidade de transformar as oportunidades criadas em gols.
— O aprendizado da Série D foi saber que é uma competição muito equilibrada, que tem que ter efetividade. Quando tiver oportunidade, tem que fazer gol — disse.
A falta de efetividade no ataque fez o Xavante deixar pontos importantes pelo caminho, o que aumentou a pressão ao elenco. O ex-jogador entende que isso contribuiu para a queda de confiança dos atletas.
— A gente sabe que é uma pressão muito grande jogar no Brasil. A nossa torcida pressiona, existe uma exigência de muitos anos sem um título relevante, sem estar sendo protagonista. Isso também atrapalha um pouco. Tem atletas que aguentam mais, outros sentem mais — afirma.
O diagnóstico revela que o Brasil deverá reformular o elenco para o segundo semestre:
— Estamos avaliando atletas com perfil de aguentar essa pressão que é jogar hoje no Brasil.
A tendência é de saídas no grupo, abrindo espaço para reforços com um perfil mais adequado ao que o clube espera para a Divisão de Acesso. As duas primeiras baixas foram dos atacantes Tanque e Robinho, que não corresponderem às expectativas.
— Tivemos a saída de dois atacantes, Tanque e Robinho. Infelizmente não conseguiram se adaptar e não conseguiram entregar aquilo que nós esperávamos. Não temos nada para falar do comprometimento deles, mas é aquela coisa do futebol. Quando as coisas não acontecem, a pressão vem.
Segundo o gestor, novas contratações estão sendo buscadas.
— Precisamos de uma reposição nessas posições e mais alguma coisa que nós estamos conversando com o Laércio [treinador]. Precisamos de um elenco sólido, um elenco competitivo e com a mentalidade Xavante que a gente sabe que é importante para essas competições.
Sobre o perfil buscado, Emerson da Rosa afirma que priorizará jogadores com maior capacidade de suportar a pressão e atletas identificados com o Rubro-Negro.
Respaldo ao novo comandante
Contratado no dia 26 de maio, Laécio Aquino conquistou sua primeira vitória no comando xavante no clássico Bra-Far, quando goleou o Farroupilha por 4 a 0. O treinador, que substituiu Gilson Maciel, tem o respaldo e a admiração de Emerson da Rosa, que afirma manter contato diário com o profissional.
— É um cara muito comprometido no dia a dia, que visa muito a união do grupo e que dá confiança para os atletas. Ele tem uma ideia de três zagueiros, dois alas avançando, com a equipe chegando ao ataque com vários jogadores na parte ofensiva. Então, tudo isso casa com o que nós pensamos, casa com tudo aquilo que a gente quer para o time — avalia.
Copa FGF vira prioridade e obrigação
Sem calendário nacional garantido para 2027, após a eliminação na primeira fase, a Copa FGF passou a ser encarada como o principal caminho para recolocar o clube na Série D do próximo ano.
Para isso, o Xavante terá que conquistar o bicampeonato da competição, o que o gestor avalia como uma obrigação:
— Entendo que fica como uma obrigação dentro da Copinha conquistar essa vaga para a Série D.
Invicto na competição, o Brasil já está garantido como líder do Grupo B, com uma rodada de antecedência. A liderança garante ao Xavante a vantagem de decidir a semifinal no Bento Freitas, diante de Gramadense ou Santa Cruz.
Trabalho fora dos gramados
Conforme o gestor, o Consórcio Xavante, responsável pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube tem atuado em diversas frentes fora de campo. Segundo ele, o clube herdou problemas estruturais e administrativos que demandam investimentos constantes.
— Nós pegamos o clube com muitas dificuldades. Tínhamos problemas de estrutura para jogos, problemas de licenças. Tem muita coisa para se fazer. Não é só a parte do futebol.
O dirigente afirmou que a reestruturação envolve desde melhorias no estádio até a recuperação da credibilidade do Brasil no mercado.
— Tivemos muitas dificuldades no início das contratações por jogadores que não queriam jogar no Brasil por esse motivo. Se perguntavam se a SAF realmente estava assumindo. Então tudo isso faz parte de um processo de reestruturação.
Por isso, o gestor pede paciência ao torcedor e reforça que o projeto tem objetivos de longo prazo.
— Muitas vezes a gente quer as coisas para ontem, mas tem que entender que o futebol é um processo, não existe mágica. Nós não estamos dentro do clube para fazer um trabalho de meses. Estamos com compromisso dentro do clube de um projeto a longo prazo. O nosso pensamento é voltar à elite do futebol gaúcho e ter capacidade de permanência, além de voltar a ter uma competição nacional, que para nós é muito importante.
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