
Presente nos elencos da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1998, 2002 e 2006, Emerson da Rosa sabe muito bem o que é vestir a Amarelinha em um Mundial. O ex-capitão não vê o Brasil como favorito ao título, mas acredita que a equipe tem condições de fazer uma grande campanha caso o grupo tenha entendimento do peso da camisa verde-amarela.
— Não vejo o Brasil como uma seleção hoje favorita, mas o Brasil, quando entra em qualquer competição, tem uma obrigação. Eu espero que a gente, como conjunto, possa fazer uma excelente Copa e, quem sabe, trazer mais um título para o nosso país — disse em entrevista a Zero Hora.
Morando nos Estados Unidos, um dos países-sede da Copa do Mundo, o gaúcho, natural de Pelotas, acompanhará de perto a caminhada da equipe de Carlo Ancelotti. Na avaliação do ex-volante, a atual geração brasileira possui qualidade técnica, mas carece de protagonistas.
— Não temos maus jogadores. O Brasil hoje tem atletas que se destacam nos seus clubes. Não digo que são todos protagonistas nos seus clubes. Na nossa época, a gente tinha esse diferencial. Os jogadores eram protagonistas nos seus clubes. Eu não vejo isso no Brasil hoje muito. Vejo bons atletas, bons jogadores, mas não protagonistas, tirando, por exemplo, o Vinícius Júnior no Real Madrid — afirma.
Para o ex-capitão, o principal ponto de atenção não está em aspectos técnicos ou táticos, mas sim na falta de uma conexão maior com o significado de representar o Brasil.
— A gente precisa entender quem estamos representando. Não é simplesmente colocar uma camisa amarela e ir para o campo, é saber que tem milhões de pessoas torcendo. A gente precisa entender a história, os títulos que já teve, quem passou por ali e o que representa o futebol para o nosso país — destaca.
Justamente por não ser o grande favorito ao título, o elenco deve reforçar ainda mais essa identidade brasileira, que, conforme o ex-capitão, faz a diferença nos momentos decisivos de uma Copa do Mundo:
— Quando o jogador entende isso, ele tem um comportamento diferente e aí pode superar qualquer coisa. Se a técnica dele, se a qualidade, se o talento não é o mesmo dos franceses, dos espanhóis, mas se ele entender o peso dessa camisa e da história que o nosso país tem no futebol, eu tenho certeza que esse algo a mais que precisa em uma Copa do Mundo nós vamos ter.
Estreia diante do Marrocos
A tão aguardada estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo acontece no sábado (13), às 19h, diante do Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, palco da final do Mundial.
— Vai ser um começo duro. O Brasil pegou talvez o pior time da chave nesse início. O primeiro jogo é sempre nervoso, é o pior jogo que tem, porque é estreia. O nervosismo existe e a gente sabe que a responsabilidade é toda da Seleção Brasileira. Marrocos é um franco-atirador. Se perder para a Seleção Brasileira, faz parte do processo. Então é muito difícil mesmo. Mentalmente e tecnicamente, o Brasil tem que estar muito focado e muito forte, porque senão vai ser muito complicado — alerta o ex-capitão.
Apesar de não considerar o Brasil favorito ao título, Emerson afirma que nunca perde a confiança na Seleção e ressalta que, em uma Copa do Mundo, qualquer prognóstico pode ser derrubado dentro de campo.
Para isso, o ex-volante relembra as campanhas de 2002 e 2006. Na primeira, quando era o capitão e acabou cortado às vésperas da estreia por lesão, o Brasil chegou desacreditado e conquistou o pentacampeonato. Já quatro anos depois, a Seleção desembarcou na Alemanha apontada como a principal candidata ao hexa, mas acabou eliminada pela França nas quartas de final.
— Quando rola a bola a gente não sabe o que pode acontecer. Nós já vimos uma grande França ser eliminada na fase de grupos, assim como uma Argentina e nós vimos, em 2002, uma Seleção Brasileira desacreditada ser campeã. Futebol é isso, acontece de tudo, principalmente no nível de uma Copa do Mundo.
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