
O jejum de cinco jogos sem vitória na Série D levou o Brasil de Pelotas a demitir o técnico Gilson Maciel nesta terça-feira (26). Apesar da sequência negativa, o treinador defende que o Xavante apresentava organização tática, mas pecava pela falta de tranquilidade e confiança para transformar as chances criadas em gols.
— Se alguém falar que o Brasil era desorganizado, eu não vou concordar. O Brasil não conseguiu ter a mesma organização no último terço e resolver aquelas situações de botar a bola pra dentro — avalia.
Durante a sequência de cinco partidas sem vencer, com três empates e duas derrotas, o Rubro-Negro marcou apenas um gol. Na avaliação de Gilson Maciel, apenas a goleada sofrida para o Marcílio Dias e o empate em casa diante do São José foram atuações realmente abaixo do esperado.
— Infelizmente a gente teve dois jogos ruins, contra o Marcílio Dias, fora, muito em função do desgaste de ter jogado a final da Recopa, e depois o jogo contra o São José, em que eu acho que a gente foi extremamente dominado, não criou, não fez nada, e o empate foi de bom tamanho — afirma.
Mesmo desligado, o treinador acredita que deixa uma base estruturada para a sequência da temporada.
— Destruir é mais fácil, construir é muito mais difícil. Agora é o refino, que daqui a pouco o novo comandante vai vir e vai colocar junto com o grupo — afirma.
Saída
No Brasil desde outubro de 2025, Gilson Maciel conquistou de forma invicta o título da Copa FGF. Ao todo, comandou a equipe em 21 partidas, com nove vitórias, oito empates e quatro derrotas, alcançando 51% de aproveitamento.
O técnico afirmou que deixa o clube chateado pela interrupção do trabalho, mas grato pela oportunidade e pela identificação criada com o Xavante.
— Eu não saio triste, eu saio chateado porque infelizmente a gente queria hoje já estar classificado. Poderíamos, se tivéssemos aproveitado as oportunidades, mas futebol é assim. Eu tenho uma relação muito afetiva. O Brasil, pra mim, dentro da minha vida, tem um significado muito grande. Eu tive como atleta e agora, como técnico, vivi um momento de comemoração de título com a torcida. Fazer a torcida feliz, pra mim, era o meu grande objetivo — destaca.
Gilson Maciel também acredita sair fortalecido profissionalmente após a passagem pelo clube.
— Agradeço ao Brasil pela oportunidade, gratidão é a palavra que eu uso. Eu cheguei de um jeito e saio de outro. O Brasil me colocou num patamar diferente. Saio extremamente grato ao Brasil por ter chegado de um jeito e ter saído de outro. Me colocou numa outra prateleira do futebol, do cenário gaúcho e nacional.
Relação com a SAF
Segundo Gilson Maciel, a decisão foi comunicada pelo gerente de futebol Hélio Vieira na manhã desta terça-feira (26). Depois, Emerson da Rosa, responsável pelo departamento de futebol do clube, também entrou em contato por telefone.
— O Hélio me chamou porque o Emerson falou comigo, me comunicou a decisão, falando sobre a troca. Eu agradeci por tudo, por ter sido o primeiro treinador da SAF — disse.
Mesmo com a demissão, o treinador ressaltou que sempre manteve uma boa relação com os gestores da SAF.
— A gente sempre teve uma relação de comunicação, tanto com o Emerson, com o próprio Hélio, que estava aqui diretamente. O Fernando Ferreira era uma pessoa que até estava no jogo lá no final de semana. Então, essa relação sempre foi positiva — comentou.
O profissional revelou ainda que a direção compartilhava da avaliação de que o time criava oportunidades, mas precisava de mais experiência e tranquilidade para definir melhor as jogadas.
— Estávamos conversando sobre, daqui a pouco, trazer um outro jogador, mais experiente, acostumado com essa pressão. Mas não adianta, futebol é resultado. Se tu não consegue, acontece a troca — destacou.
Segundo o clube, os líderes do Consórcio Xavante, Fernando Ferreira e Emerson da Rosa, irão se pronunciar sobre a decisão às 18h desta terça-feira (26), em entrevista para a TV Xavante.
Situação do clube
Apesar da má fase na Série D, o Xavante ocupa a quarta colocação do Grupo A16, com nove pontos, dentro da zona de classificação. O clube depende apenas de si para avançar à segunda fase.
Nas duas últimas rodadas da primeira fase, o Brasil enfrenta o Blumenau, no Bento Freitas, no domingo (31), e depois encara o Azuriz, em Pato Branco/PR, no dia 7 de junho.
Pela Copa FGF, o Rubro-Negro lidera o Grupo B, com seis pontos em dois jogos. A equipe volta a campo nesta quarta-feira (27), às 19h, diante do Bagé, no Bento Freitas.
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