
A dor da perda de um filho ganhou um novo significado para uma família de Rio Grande, no sul do Estado. A partir da história de Joaquim Klinger, o Joca, nasceu um projeto social que busca transformar o luto em acolhimento e oportunidade para outras crianças.
Idealizada pela Escola Grêmio Ball (GB) — onde o menino treinava — e pela família dele, a iniciativa vai atender jovens em situação de vulnerabilidade com muito mais do que aulas de futsal. A proposta é oferecer cuidado integral, com acompanhamento psicológico, nutricional e até odontológico, além de suporte às famílias.
Legado de Joca

A ideia do projeto surgiu dentro da própria escola que acompanhava Joca diariamente. Segundo a mãe do menino, Izabel Simch, a iniciativa é fruto de um sentimento que não acabou com a morte do filho.
— Esse projeto nasceu de um amor que não coube dentro da dor. Eles pegaram a dor mais profunda que a gente podia sentir e transformaram em movimento, em cuidado, em vida. Decidiram que o Joca não ia ser lembrado só pela ausência, mas por tudo que ele foi — afirma.
Joca tinha no futsal uma das maiores paixões. Treinava mais de uma vez por dia, sonhava em ser jogador profissional e encontrava na quadra um espaço de pertencimento.
Como vai funcionar
Na prática, o projeto deve começar com a seleção de cerca de 40 crianças, com idades entre 9 e 15 anos, estudantes da rede pública e em situação de vulnerabilidade social. A escolha será feita por meio de peneiras em bairros da cidade.
Depois de selecionados, os participantes passam a integrar a rotina da escola, com treinos regulares e acesso a uma rede de apoio.
— Não é só futsal. É cuidado. É mostrar para essas crianças que elas importam, que elas podem — resume Izabel.

O idealizador do projeto e treinador do GB, Bruno Ramires, explica que a proposta é atuar no desenvolvimento dos jovens.
— A ideia é que eles tenham acompanhamento psicológico, orientação nutricional e acesso a cuidados básicos, como kits de higiene e atendimento odontológico. Muitas vezes, isso faz diferença no crescimento e na autoestima — destaca.
A expectativa é iniciar as atividades no começo de maio, após a finalização da captação de apoiadores. A meta é ampliar o número de vagas conforme a adesão de novos parceiros.
“Ele vive em cada criança”
Para a família, o projeto também representa uma forma de manter viva a presença de Joca.
— Eu não sinto, eu tenho certeza. Ele está em cada detalhe. Em cada bola que rola, em cada riso. O Joca não foi embora. Ele só deixou de ser um para virar muitos — diz a mãe.
A ligação do menino com o GB era tão intensa que, segundo Izabel, a quadra funcionava como uma extensão da casa da família. Era ali que ele estudava, treinava e convivia com amigos e professores.

Após a morte, a escola passou a homenageá-lo com uma estrela no escudo — símbolo que também acompanha o novo projeto.
— A gente prometeu que nunca ia deixar a história dele acabar — afirma Bruno.
Relembre caso
Joaquim Klinger morreu em 28 de maio de 2025, aos nove anos, após dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cassino, em Rio Grande. Segundo o atestado de óbito, a causa foi insuficiência respiratória decorrente de uma crise de asma.
O caso gerou grande repercussão na cidade após a família levantar questionamentos sobre o atendimento médico. O Ministério Público do Rio Grande do Sul abriu investigação, e a prefeitura instaurou uma sindicância para apurar a conduta da equipe.
O relatório final do município concluiu que não houve erro médico, mas a família contesta o resultado e mantém os questionamentos. As apurações seguem sendo acompanhadas pelo Ministério Público.
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