A Copa do Mundo de 2026 começa apenas em 11 de junho, mas a paixão pelas figurinhas do mundial está de volta. Em Pelotas, o tradicional período de vendas do álbum é visto pelas bancas como essencial para garantir o fôlego financeiro do setor pelos próximos anos.
— O momento da banca é a Copa do Mundo. A revistaria em si está muito parada, então, quando chegam as figurinhas é o auge. É quando a banca consegue se estabilizar para trabalhar até a próxima Copa — afirma Alexandro Goularte, dono da Revistaria Lobo da Costa, há mais de três décadas no Calçadão de Pelotas.
Também com mais de 30 anos de atuação no Centro, a Revistaria Cultura confirma o impacto positivo. Segundo o proprietário Claudinei Lucena, o aumento nas vendas é significativo:
— Com a chegada da Copa, o crescimento supera 70% ou 80% em relação ao movimento normal.
Alta procura
Embora o álbum e os pacotes tenham chegado às bancas pelotenses apenas na noite de quarta-feira (29), com a comercialização a partir desta quinta-feira (30), a procura já vinha sendo intensa desde o início do mês. Muitos clientes passaram pelos pontos de venda em busca de informações sobre o lançamento.
Enquanto a reportagem de GZH entrevistava Lucena a conversa foi brevemente interrompida por um questionamento, que evidenciou a alta procura:
— Tudo bem? Já chegou o álbum da Copa do Mundo? — perguntou um cliente, que prometeu retornar no dia seguinte para garantir a edição de 2026.
A expectativa para este ano é ainda maior. A Copa de 2026 será a primeira com 48 seleções, ampliando também o número de figurinhas. Se em 2022 eram necessários 670 cromos para completar o álbum, nesta edição serão 980. O aumento deve impulsionar as vendas.
— A expectativa é vender mais. Não o dobro, mas algo entre 20% e 30% a mais do que na última Copa — projeta Goularte.
— A última Copa foi fenomenal. Espero que esse ano seja mais que fenomenal, porque são mais clubes e mais países, então a expectativa é essa. Nós já temos até encomenda pronta — complementa Antônio dos Anjos, dono da Revistaria Leon há 33 anos.
Troca de figurinhas
Para minimizar os gastos, que superam os R$ 1 mil para completar o álbum, a troca de figurinhas repetidas é outro ritual comum entre colecionadores. Em Pelotas, ela acontece nos arredores de bancas de revista no Centro, geralmente aos sábados. Os encontros são organizados em grupos de WhatsApp, criados por cada banca.
— Aqui do lado da banca tem uns bancos e o pessoal se junta. Todos os sábados de manhã começa 9h e às 18h o pessoal ainda está ali fazendo a troca — conta Goularte.
Na Revistaria Cultura, Lucena acredita que neste sábado (2) ainda não terá movimentação para trocas, porém, espera que nos próximos os colecionadores já se organizem para o evento.
Desafios
Apesar do cenário positivo durante a Copa, o setor também enfrenta desafios neste ano. A concorrência com vendas online e com estabelecimentos como supermercados e farmácias tem crescido. Ainda assim, os donos de bancas apostam na experiência presencial como diferencial:
— Aqui tu tem essa possibilidade de chegar com teu filho, escolher os pacotinhos. Acho que a flexibilidade e o bom atendimento [são os diferenciais]. Tem pra todo mundo. Todo mundo ganha um pouquinho — afirma Goularte.
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