
A gaúcha Nicole Silveira chega aos Jogos de Milão-Cortina 2026 para sua segunda Olímpiada de Inverno como uma das esperanças do Brasil por medalha. Natural de Rio Grande, a atleta de skeleton é dona da melhor marca brasileira em esportes no gelo, o 13º lugar, conquistado em Pequim, em 2022.
Nicole Silveira nasceu em Rio Grande, no sul do Estado, mas se mudou para Calgary, no Canadá, com a família aos sete anos. Na América do Norte, praticou ginástica, futebol, vôlei e rúgbi, na juventude, e depois partiu para o fisiculturismo, onde participou de diversas competições até 2017.
O começo
Meses depois do último evento de fisiculturismo, Nicole recebeu um convite inesperado para ingressar no mundo dos esportes no gelo, não no skeleton, mas sim no bobsled.
— Foi durante um dia de trabalho que um ex-colega meu veio fazer compras, descobriu que eu era brasileira, e perguntou se eu queria fazer parte do time de bobsled, que estavam tentando qualificar para os Jogos [de Inverno] de 2018 — relembrou Nicole, em entrevista ao Time Brasil.
Assim como o skeleton, o bobsled é uma modalidade em que os competidores fazem o percurso em uma pista de gelo através de um trenó. No entanto, o bobsled é conduzido por dois ou quatro competidores, enquanto o skeleton é individual, com trenós pequenos.
O que é o skeleton?
A semelhança entre duas as modalidades fazia com que as equipes treinassem juntas, o que possibilitou o primeiro contato de Nicole com o skeleton. Após a frustração de chegar aos Jogos de 2018, o presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG) à época, Matheus Figueiredo, conterrâneo da rio-grandina, fez o convite para que ela trocasse de esporte.
— Foi durante essa temporada [no bobsled] que o presidente da confederação perguntou se eu queria tentar o skeleton. Eu tentei, gostei, e agora estamos aqui — afirmou.
A trajetória de Nicole no skeleton iniciou em 2018, quando participou de uma escola da modalidade nos Estados Unidos.
— Foi lá que eu comecei a aprender como ter um pouquinho de controle no trenó. E aí, conforme fui tendo mais controle, eu fui gostando mais e mais.
Em sua primeira competição, a Copa América daquele ano, encerrou sua participação com o sexto lugar. Também foi a primeira brasileira a competir em um Mundial de Skeleton, sendo 24ª colocada.
— Conforme eu participei da primeira Copa América, meus objetivos foram aumentando, fui ganhando confiança e controle, aprendendo como dirigir o trenó e como correr — lembrou.
Entre as suas principais conquistas estão três medalhas de bronze em etapas da Copa do Mundo, sendo a última na etapa de St. Moritz deste ano. Na temporada 2024/2025, Nicole foi a quarta melhor atleta do mundo. Neste ano, ela conquistou o nono lugar na classificação geral.
Jogos Olímpicos de Inverno de 2022
Em Pequim, em sua primeira Olimpíada, Nicole alcançou a 13ª colocação, após somar 4min10s48 nas quatro baterias. A gaúcha foi a primeira a representar o Brasil no skeleton em uma edição de Jogos de Inverno.
O resultado de Nicole representou a segunda melhor posição do Brasil na história dos Jogos de Inverno. O melhor desempenho segue sendo o nono lugar de Isabel Clark, no snowboard cross, nos Jogos de Turim, na Itália, em 2006.
Enfermeira de formação
De forma paralela à carreira esportiva, Nicole também atua como enfermeira em um hospital geriátrico. Durante a pandemia de COVID-19, atuou na linha de frente no combate ao vírus, atendendo no hospital pela manhã e treinando à tarde.
— Geralmente eu trabalho durante o verão, que é a nossa off-season. Eu tenho que trabalhar pelo menos uma vez cada seis meses para manter minha licença ativa — explica.
Amor no gelo
Casada com a belga Kim Meylemans, também atleta de skeleton, Nicole Silveira oficializou neste ciclo olímpico o Time BB (Brasil e Bélgica). O casal, que se conheceu durante uma competição na pandemia, quando só podiam conviver no hotel, agora possui a mesma equipe técnica.
— A gente tinha cada um seu próprio time. Foi difícil porque tinham segredos que não podiam contar mas a gente não sabia se podia ou se não podia. Em 2022/23 que a gente resolveu juntar, unir os times e ter um técnico para as duas. E hoje a gente faz tudo 24 por 7 juntos — explicou.

Assim como a brasileira, Meylemans também foi a primeira a levar a Bélgica ao skeleton em Jogos de Inverno. A belga chega para Milão-Cortina como a melhor atleta do mundo na modalidade, o que também eleva a régua de Nicole, que aprende diariamente com as experiências da esposa.
— Juntas somos bem mais fortes. Eu consigo ensinar o que eu sei e ela consegue ensinar o que ela sabe. Então, hoje eu não conseguiria estar no nível que eu estou sem ter ela no time.
Milão-Cortina
Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina começam na sexta-feira (6), com a cerimônia de abertura principal marcada para as 16h, no Estádio San Siro. Além de Nicole, o Brasil leva para a Itália outros 13 atletas, que formam a maior delegação brasileira na história das Olimpíadas.
Única atleta gaúcha a representar o Brasil na Itália, Nicole Silveira é apontada como uma das principais esperanças brasileiras por medalha, ao lado de Lucas Pinheiro Braathen, do esqui alpino.
Nicole Silveira realiza os treinamentos na pista de segunda-feira (9) a quarta-feira (11). A fase classificatória ocorre na sexta-feira (13), a partir das 12h (horário de Brasília), enquanto a disputa por medalha está marcada para o sábado (14) à tarde.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.





