A gaúcha Nicole Silveira quebrou seu recorde pessoal e encerrou sua participação no skeleton nas Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina na 11ª colocação. Com a descida final em 57seg93, a rio-grandina somou 3min51seg82 nas quatro baterias e superou sua marca de Pequim 2022, quando terminou na 13ª colocação.
Com o resultado, a atleta segue dona da melhor marca brasileira em esportes no gelo e do terceiro melhor desempenho do país nos Jogos de Inverno. O recorde geral foi de Isabel Clark — nono lugar no snowboard cross, em Turim 2006 — até a manhã deste sábado (14), quando Lucas Pinheiro Braathen garantiu o ouro no Slalom Gigante, uma das disciplinas do Esqui Alpino. A medalha foi a primeira da América do Sul na história das Olimpíadas.
Como foi a prova
Nicole Silveira iniciou sua participação em Milão-Cortina, na sexta-feira (13), com uma volta de 57seg93, ficando com o 13º lugar. Na sequência, fez seu melhor tempo na pista Eugenio Monti, percorrendo os 1.450 metros em 57seg85, ultrapassando a holandesa Kimberley Bos, campeã mundial de 2025.
Neste sábado (14), a gaúcha completou a terceira bateria em 58s11, seu pior tempo nos Jogos. No entanto, ultrapassou a norte-americana Kelly Curtis e assumiu a 11ª posição. Na sequência, repetiu a marca da primeira descida, com 57s93, e confirmou a nova melhor marca brasileira em esportes no gelo.
Pódio
Com uma atuação consistente desde a primeira descida, a austríaca Janine Flock conquistou o ouro, ao concluir os quatro percursos em 3min49seg02. O pódio foi completo pelas alemãs Susanne Kreher e Jacqueline Pfeifer, com as medalhas de prata e bronze, respectivamente.
Confira o tempo das medalhistas
- Janine Flock - 3min49seg02
- Susanne Kreher - 3min49seg32
- Jacqueline Pfeifer - 3min49seg46
Time BB
Esposa de Nicole, a belga Kim Meylemans, atual campeã mundial, encerrou sua participação nos Jogos na sétima colocação, com tempo de 3min50seg67. O casal, que se conheceu durante uma competição de skeleton na pandemia, possui a mesma equipe técnica, formando o Time BB (Brasil e Bélgica).
Entenda a modalidade
O skeleton é uma modalidade de esportes de inverno criada na Suíça, no século 19. Estreou nos Jogos Olímpicos de Inverno em 1928, em St. Moritz, voltou em 1948 na mesma cidade e, após mais de 50 anos fora do programa, retornou de forma definitiva em 2002, em Salt Lake City (EUA).
Estados Unidos e Grã-Bretanha são os maiores campeões olímpicos, com três ouros cada. Nesta edição dos Jogos, a principal novidade é a inclusão da prova mista.
Como funciona a prova
O atleta larga em pé e, após o sinal verde, tem até 30 segundos para iniciar o “push” — corrida de 25 a 40 metros empurrando o trenó. Em seguida, salta de bruços sobre o equipamento e desce a pista de gelo, atingindo velocidades entre 130 km/h e 140 km/h.
A direção é controlada com movimentos do corpo, e vence quem completar o percurso no menor tempo total.
O skeleton é disputado em pistas de gelo com 1.200 m a 1.650 m de extensão e pelo menos 15 curvas. A pista de Cortina tem tem 16 curvas e um traçado de 1.445m.
O trenó, feito de metal e fibra de vidro, pesa até 43 kg no masculino e 35 kg no feminino, e o conjunto atleta + equipamento não pode ultrapassar 115 kg (homens) e 92 kg (mulheres). Não há freios. Nos equipamentos, o uso de capacete aerodinâmico e macacão justo é obrigatório, além de sapatilhas e luvas com pequenas agulhas para tração na largada e proteções como joelheiras e cotoveleiras.





