O Brasil vive o melhor momento de sua história nos esportes de inverno, conforme avaliação do chefe da delegação brasileira nos Jogos de Milão-Cortina, Emilio Strapasson. O gaúcho, natural de Rio Grande, destaca que o planejamento de longo prazo e a reestruturação das confederações foram determinantes para o aumento de recursos e o crescimento do país no cenário.
— É o melhor momento da história do Brasil em edições de Olimpíadas de Inverno e isso se deve muito ao trabalho das duas confederações [CBDG e CBDN] que cuidam dessas modalidades — afirma Strapasson.
Os esportes de inverno estão divididos entre duas entidades, a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) e a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), esta última presidida por Strapasson.
Pioneiro no skeleton brasileiro, o rio-grandino assumiu a CBDG pela primeira vez em 2013, depois de contribuir para a reestruturação da entidade três anos antes. Ele comandou a equipe brasileira nos Jogos de Inverno de 2014, na Rússia, onde garante que a ideia era apenas chegar em condições de participar.
— Fomos com um grupo grande (10 atletas), mas era um grupo que estava no início do projeto, então a nossa vitória era apenas se qualificar. Apenas completar as provas já era a nossa medalha de ouro. Fizemos coisas impensáveis em muito pouco tempo. Não visando o resultado, mas visando um retorno. Visando dizer "estamos aqui".
Para Milão-Cortina, as expectativas são diferentes. Com a maior delegação já enviada a uma edição de Jogos de Inverno — 14 atletas — a busca é pela melhor colocação na história do Brasil na competição, superando o nono lugar de Isabel Clark, no snowboard cross, nos Jogos de Turim, em 2006.
— A gente espera que, tanto a Nicole (Silveira), quanto o Pet (Burgener), quanto o Lucas (Braathen), eles quebrem essa barreira do nono lugar da Isabel — projeta Strapasson.
Outro marco desse novo momento foi o investimento, especialmente no último ano do ciclo olímpico, que é decisivo para a classificação dos atletas. Strapasson ressalta que o Comitê Olímpico do Brasil (COB) financiou, por exemplo, a compra de trenós novos para o bobsled e skeleton, avaliados em mais de R$ 300 mil.
— Esse é um círculo virtuoso muito bom, e eu tenho certeza de que é o começo de outras edições, de outros ciclos olímpicos, melhores ainda — destaca o presidente, que voltou à CBDG ano passado para um mandato até 2028.
Dupla nacionalidade
O presidente destaca que o cenário criado pelas confederações de esportes de inverno tem atraído esportistas com dupla nacionalidade, que optaram por defender o país em competições internacionais.
— Quando eles veem o desenvolvimento, a profissionalização da nossa gestão, eles entendem que pode sim representar o Brasil, realizar o sonho de representar o Brasil, o país dos pais, da mãe.
Os maiores exemplos são os dos atletas Christian Oliveira, Giovanni Ongaro, Pat Burgener e Lucas Pinheiro Braathen, que possuem dupla cidadania. O último, praticante de esqui alpino, é a principal esperança de medalha do Brasil nos Jogos de Inverno, ao lado da gaúcha Nicole Silveira.
Jogos Olímpicos de Inverno de 2026
A edição de Milão-Cortina, na Itália, inicia nesta sexta-feira (8). A cerimônia de abertura está marcada para as 16h (horário de Brasília), no Estádio San Siro, e contará com a presença da medalhista olímpica Rebeca Andrade, carregando a bandeira brasileira. Além dela, em Cortina, Lucas Pinheiro e Nicole Silveira representam o país.



