
Após 50 anos, Rio Grande volta a receber a histórica Regata Rio da Prata – Rio Grande, que terá início no Porto del Buceo, em Montevidéu, no Uruguai, com destino ao município rio-grandino.
A competição irá ocorrer entre os dias 11 e 15 de março. O evento está sendo organizado pelo Rio Grande Yacht Club e a prefeitura de Rio Grande.
No início do mês, o governo uruguaio, por meio do Ministério do Turismo, declarou interesse turístico no evento. As primeiras edições ocorreram em 1975 e 1976. O documento, assinado pelo Ministro do Turismo, Pablo Menoni, considerou a natureza internacional da competição.
Segundo Richard John Grantham, presidente do conselho da Associação Arranjo Produtivo Local Marítimo RS (APL) e membro da comissão organizadora, a iniciativa de retomada da Regata surgiu durante o Fórum de Desenvolvimento da Economia Azul, realizado em abril de 2025, em Rio Grande.
— O objetivo é fomentar a implantação de uma mentalidade marítima na região, voltada à formação de um polo de desenvolvimento no setor. Houve uma aceitação da ideia muito grande por parte do Yacht Club Uruguaio, do Yacht Club Argentino e dos clubes de Porto Alegre. O governo uruguaio reconheceu a importância turística deste evento. Ao aceitar esse desafio, não imaginávamos a dimensão que o evento tomaria — comenta.
Conforme a organização, a expectativa é reunir 40 embarcações vindas do Uruguai e da Argentina. A programação também integra outras regatas que ocorrerão simultaneamente, como a Porto Alegre–Rio Grande e a Pelotas–Rio Grande.
— A regata do Uruguai começa dia 11 e talvez os barcos comecem a chegar aqui a partir de 13, porque tem barcos mais rápidos, barcos mais lentos, então eles não vão chegar todos no mesmo dia. Nossa intenção é oferecer a esses velejadores que chegarem nessa regata do Uruguai participarem também da regata até Porto Alegre, que acontece na semana seguinte — complementa Grantham.
Troféu Vito Dumas
O veleiro Fita Azul, primeiro a cruzar a linha de chegada da Regata Rio de la Plata–Rio Grande, será homenageado com o Troféu Vito Dumas, que leva o nome de um dos ícones da navegação sul-americana.
Segundo Richard John Grantham, a premiação busca valorizar a história da vela. O troféu será entregue à embarcação que chegar primeiro, independentemente da classificação geral da regata, que utiliza um sistema de compensação de tempo entre os veleiros.
— O veleiro que chega primeiro não é necessariamente o que ganha a regata, porque existe um sistema para equalizar os veleiros, mas o veleiro que chegar na frente ganhará o troféu Vitor Dumas — explica.
Grantham também destacou a importância histórica de Vito Dumas, a quem definiu como “um herói sul-americano da vela”. Ele relembrou que o navegador ganhou notoriedade nas décadas de 1930 e 1940 e chegou ao Brasil em 1932, após uma travessia oceânica improvisada, sendo acolhido pelo Yacht Club Rio Grande, que ele presenteou com parte do mastro de sua embarcação.
Vila Náutica no Porto Velho
Para aproximar a população do evento, será criada uma Vila Náutica no Porto Velho, permitindo o acesso aos veleiros atracados e a interação com as tripulações.
Metade do cais do Porto Velho será usada para o evento, sem prejudicar os pesqueiros locais. Além dos barcos, a Vila terá atrações no Armazém 1, contando a história de Vito Dumas.
— A intenção é fazer uma interação destes esportes com a cidade. Tanto é que a Vila Náutica vai estar aberta ao público em geral e a gente tem a expectativa que as pessoas que forem lá vão ter algumas atrações náuticas junto, não é só o barco atracado — finaliza Richard Grantham.
Para participar da competição, os velejadores interessados deverão realizar uma inscrição no site do evento, onde também há o edital com as regras de participação.


