
Os milhares de Xavantes que lotaram o Bento Freitas na decisão da Copa FGF invadiram o gramado após o apito final para comemorar o título. A festa, porém, gerou repercussão negativa e pode trazer prejuízos ao Brasil de Pelotas. A súmula da partida, publicada na tarde desta segunda-feira (1º), registra uma série de incidentes atribuídos à torcida rubro-negra.
No relato, o árbitro Wagner Echevarria cita o arremesso de objetos em direção ao campo e a paralisação do jogo nos minutos finais devido a sinalizadores acesos no setor da torcida xavante. O documento também destaca que um torcedor tentou invadir o gramado ainda durante a partida, sendo contido pelos seguranças.
Os principais problemas relatados, no entanto, ocorreram imediatamente após o encerramento do jogo. A súmula cita a invasão em massa ao gramado por parte da torcida do Brasil, o que levou a equipe de arbitragem a se dirigir às pressas ao vestiário para evitar possíveis confrontos. Já o Aimoré precisou permanecer por cerca de 30 minutos no banco de reservas aguardando a chegada do policiamento, que escoltou os jogadores até a saída do campo direcionada ao estacionamento.
Embora não tenha presenciado o episódio, o árbitro informou ter sido comunicado por um dirigente do Aimoré de que um atleta da equipe visitante foi agredido por torcedores durante esse período de espera.
— Ao término da partida houve uma invasão em massa por parte da torcida mandante ao gramado, a arbitragem rapidamente conseguiu acesso ao seu vestiário, já a equipe visitante ficou 30 minutos em seu reservado esperando o policiamento levá-los em segurança até o seu vestiário. [...] Relato ainda que fui informado por um dirigente da equipe visitante que um atleta de sua equipe havia sido agredido enquanto aguardava para deslocar ao seu vestiário. Nós da arbitragem não vimos o fato, pois já estávamos em nosso vestiário — diz a súmula.
Protocolo quebrado
A invasão e a falta de segurança também impediram a realização completa da cerimônia de premiação. O Aimoré não recebeu as medalhas de vice-campeão, e Cristiane Ostermann, filha do homenageado da Copa FGF de 2025, não pôde participar do protocolo oficial.
Possíveis punições
Diante dos incidentes, o Brasil pode ser denunciado e punido pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-RS) com base nos artigos 211 e 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Os trechos tratam de falhas na segurança do estádio, arremesso de objetos, invasões e paralisações da partida, e preveem multas entre R$ 100 e R$ 100 mil, além da possibilidade de perda de mando de campo por uma a dez partidas.
Notas de repúdio
A Federação Gaúcha de Futebol (FGF) e a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) divulgaram notas de repúdio ao episódio.
Confira a nota da FGF
A FGF lamenta que, por questões de segurança, não pode ser realizado o protocolo de premiação da final da Copa FGF. A diretoria da FGF e Cristiane, filha do Professor Ruy Carlos Ostermann, homenageado da competição, não puderam permanecer no gramado para fazer a entrega das medalhas e realizar o protocolo, em razão da invasão do campo de jogo.
Confira a nota da ARI
A Associação Riograndense de Imprensa (ARI), a Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos (ACEG), Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio Grande do Sul (Arfoc) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul vêm a público manifestar seu mais absoluto e enérgico repúdio aos episódios de hostilidade ocorridos ao final da partida da Copa FGF – Troféu Ruy Carlos Ostermann, no estádio Bento Freitas, em Pelotas. Parte da torcida do Grêmio Esportivo Brasil invadiu o gramado e impediu o exercício profissional dos trabalhadores da imprensa do Vale do Sinos.
Da mesma forma, as entidades expressam solidariedade à diretoria e aos atletas do Clube Esportivo Aimoré, que foram alvo de agressões por parte de torcedores logo após o encerramento do confronto.
A postura agressiva e intimidadora dos envolvidos criou um ambiente de extrema insegurança, dificultando inclusive a saída de profissionais de imprensa, atletas e dirigentes do Aimoré, que somente conseguiram se deslocar após mais de 30 minutos, sob escolta da tropa de choque da Brigada Militar. Ressaltamos o trabalho responsável e decisivo da Brigada, que atuou de forma constante e eficaz para conter o avanço da torcida que ocupava o gramado do Bento Freitas, evitando que a situação se agravasse.
Ao repudiar veementemente os fatos registrados na noite de domingo, as entidades cobram uma postura rigorosa das autoridades competentes e, em especial, da Federação Gaúcha de Futebol, cuja atuação diante dos acontecimentos se mostrou insuficiente. Os incidentes não apenas comprometeram o encerramento da competição, como também inviabilizaram a entrega da premiação de forma adequada, comprometendo a segurança de profissionais e do público presente, pessoas que ali estavam para prestigiar um momento que deveria ser de celebração ao esporte.
A ARI, a ACEG, a Arfoc e o SindJoRS defendem a liberdade de imprensa, o respeito aos profissionais de comunicação e a integridade de todos os envolvidos no espetáculo esportivo. Situações como esta são inaceitáveis e exigem respostas firmes para que não se repitam.


