
O Athletic Bilbao serve como principal referência para a SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Brasil de Pelotas. A proposta é se inspirar no modelo do clube espanhol, conhecido pela política de valorização de atletas da "Euskal Herria", o País Basco, priorizando a contratação de jogadores pelotenses ou com forte identidade com o Xavante e com a região Sul.
No Athletic Club, como é chamado na Espanha, todos os atletas do elenco profissional nasceram ou foram formados nas categorias de base de clubes do País Basco. Essa política rendeu ao time oito títulos do Campeonato Espanhol, 24 da Copa do Rei e três Supercopas da Espanha, além de nunca ter sido rebaixado, assim como Barcelona e Real Madrid.
Com uma atuação discreta no mercado de transferências, o Athletic costuma reinvestir os recursos obtidos com vendas na formação de novos jogadores. Atualmente, o clube investe cerca de 10 milhões de euros por ano (aproximadamente R$ 64,5 milhões) nas categorias de base.
O centro de treinamentos ocupa uma área de 13 hectares, com campos de diferentes tipos de gramado, estrutura para atividades físicas e residências para jovens atletas captados na região. Além disso, há quase 200 núcleos espalhados pelo País Basco voltados à identificação e ao desenvolvimento de talentos.
A história da “regra”
Fundado em 1898 por britânicos e moradores locais de Bilbao, o clube contou inicialmente com atletas franceses e ingleses. A política informal de utilizar apenas jogadores locais surgiu em 1911, após a popularização do futebol na região e o desejo da diretoria de representar a identidade basca.
Essa filosofia ganhou ainda mais força durante a ditadura do general Francisco Franco (1939–1975), período em que o Athletic Bilbao se consolidou como símbolo do nacionalismo basco. O País Basco, localizado entre o norte da Espanha e o sul da França, possui pouco mais de 2 milhões de habitantes.
Primeiros movimentos da SAF
No Brasil de Pelotas, a inspiração começa a se refletir nas primeiras decisões da SAF. O Consórcio Xavante, grupo que está adquirindo 90% da SAF do clube, tem como principal representante o pelotense Emerson da Rosa, ex-atleta rubro-negro, que já comanda o departamento de futebol.

Entre as primeiras ações está a permanência de Hélio Vieira, também pelotense, no cargo de coordenador técnico. Na sequência, foram confirmados os laterais Otávio Farias e Yuri Farias e o volante Alan, todos naturais de Pelotas, como os primeiros atletas do clube na era SAF.
O volante Thiago Henrique teve o contrato renovado para 2026. Apesar de ser natural de Divinópolis (MG), o jogador foi formado nas categorias de base do Xavante. O último nome que teve a permanência confirmada é o do técnico Gilson Maciel, atleta do Xavante na década de 1990 e com forte identificação com o clube.
Centro de Treinamento
Assim como no modelo basco, as categorias de base serão tratadas como prioridade pelo Consórcio Xavante. Os investidores trabalham na construção de um centro de treinamento moderno, voltado ao desenvolvimento de atletas para o elenco principal.
A negociação para definição da área está em fase final. O terreno terá mais de oito hectares, espaço suficiente para concentrar todas as operações do futebol e também abrigar a sede administrativa do clube.




