
Atual diretor esportivo do Pelotas, Daniel Carvalho avalia positivamente a transformação do Brasil em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Em entrevista ao Hoje nos Esportes, na noite de quinta-feira (23), o ex-jogador afirma que o Lobo pode utilizar o maior rival como exemplo para uma decisão futura.
— Não é porque é o Brasil, o maior rival do Pelotas, que a gente não pode se espelhar neles. Se o Brasil chegar e mostrar que vale a pena, tomara que o Pelotas também seja inteligente e abrace essa ideia — comenta.
Daniel Carvalho afirma que o clube deve observar a experiência do rival em 2026 para avaliar uma possível mudança:
— Como a rivalidade é muito grande, acredito que o Pelotas vá segurar um aninho pra ver como vai funcionar a SAF do Brasil.
No cargo desde abril, Daniel Carvalho tem visto de perto a realidade do futebol do interior gaúcho. Segundo ele, dificuldades financeiras estão atingindo patamares mais altos nos últimos anos:
— Está muito difícil de fazer futebol no Interior. Estamos vendo hoje o reflexo até na Série A com Inter e Grêmio no meio de tabela ou quase brigando no grupo dos rebaixados, e o Juventude praticamente rebaixado. Então, acho que o futebol gaúcho tá passando por um momento muito difícil.
Ele vê na SAF uma esperança para a retomada do protagonismo dos clubes e torce que Pelotas e Inter também encontrem investidores confiáveis:
— Se der certo pro Brasil, tomara que chegue amanhã ou depois para o Inter e para o Pelotas.
Discussão no Conselho
Uma das prioridades do novo Conselho Deliberativo do Esporte Clube Pelotas, eleito em julho, é o avanço dos estudos e debates sobre a adoção de um modelo empresarial. Liderado pelo conselheiro Pablo Isnardi, o grupo já realizou diversas análises sobre a possibilidade de implantação da SAF, mas ainda trata o tema com cautela e planejamento.
De acordo com Isnardi, o Conselho tem promovido reuniões com empresas especializadas para compreender as etapas do processo, suas implicações e o valor real do clube e de seu patrimônio. Paralelamente, o grupo também busca parcerias voltadas às estruturas do Pelotas, como o Estádio da Boca do Lobo e o Centro de Treinamento.
Essas iniciativas, segundo o conselheiro, já têm trazido bons resultados financeiros, o que permite ao clube avaliar com tranquilidade o melhor caminho a seguir.
— A gente não tem tanta pressa, porque temos esse movimento que também é super rentável para o clube. E até porque a gente entende que o modelo de SAF hoje ele não é garantia de sucesso — afirma Isnardi.
O dirigente explica que o Pelotas pretende observar atentamente o processo de transformação em SAF do Xavante para aprender com a experiência.
— A gente vai ter agora nos próximos meses o exemplo aqui do nosso rival que fez o processo de SAF. Então, a gente pode ver através do movimento deles quais foram os acertos e quais foram os erros nesse processo — comenta.
Isnardi reforça que a decisão sobre o futuro do clube será tomada com base em um estudo aprofundado, considerando os diferentes resultados observados em outros clubes do país.
— Vemos a SAF do Botafogo e a SAF do Vasco da Gama, por exemplo, que estão na mesma cidade e tiveram resultados completamente diferentes até o momento.



