
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) foi uma das cinco selecionadas em todo o país em um edital voltado ao estudo da relação entre economia e clima no Brasil.
O financiamento de R$ 2,5 milhões é uma iniciativa do Instituto Clima e Sociedade (ICS). Cada pesquisa receberá uma parcela do recurso de acordo com o orçamento apresentado.
Vinculado ao Departamento de Economia, o projeto da UFPel é intitulado Choques Climáticos e Impactos Microeconômicos: Evidências de Desastres Hidrológicos para o Rio Grande do Sul. A proposta foi selecionada em um processo que recebeu mais de 400 inscrições.
O estudo vai analisar como desastres hidrológicos, como a enchente de 2024, afetam a economia em uma perspectiva microeconômica. A pesquisa está dividida em três frentes: migração, mercado de trabalho e arrecadação dos municípios.
— É um projeto do âmbito microeconômico. A gente quer entender os processos de ajustes, como é que as pessoas respondem, como é que as empresas respondem a choques e desastres hidrológicos — explica o coordenador da pesquisa, professor Felipe Garcia.

Na frente dedicada à migração, os pesquisadores terão como base dados de censos para verificar se a ocorrência de desastres hidrológicos alterou a probabilidade de famílias mudarem de município.
A análise também pretende identificar quais grupos são mais propensos a migrar após esses eventos, considerando características como idade, nível de escolaridade e composição familiar.
Mercado de trabalho
A segunda frente vai analisar os efeitos dos desastres no mercado de trabalho, com atenção às mudanças nas ocupações no médio e longo prazo.
A pesquisa pretende identificar quais tipos de competências e habilidades passam a ser mais demandados após um desastre.
— Queremos olhar para esses efeitos heterogêneos. Analisar, por exemplo, quais ocupações mais demandadas em cenários como esses. Se tão logo temos um desastre, a gente precisa de ocupações que utilizem mais tarefas manuais, ou tarefas que envolvam cognição ou habilidades socioemocionais — explica Garcia.
Os resultados poderão ajudar a compreender mudanças na demanda por trabalhadores e contribuir para a formulação de políticas públicas de formação e qualificação profissional após eventos climáticos.
A terceira frente vai investigar os efeitos dos desastres sobre a arrecadação dos municípios. A pesquisa vai analisar como eventos climáticos interferem na arrecadação de impostos e em outras receitas municipais, permitindo avaliar os impactos desses episódios sobre as finanças públicas.
Recursos para o desenvolvimento
Com a seleção no edital, o projeto entra na etapa de financiamento e desenvolvimento.
Segundo Garcia, os recursos serão utilizados principalmente na aquisição de computadores e outros equipamentos necessários para o estudo, além do pagamento de bolsas para estudantes e pesquisadores envolvidos no projeto.
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