
Uma mobilização criada para enfrentar os impactos das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 deu origem a um projeto que pretende transformar a Metade Sul em um polo permanente de desenvolvimento do agronegócio. Lançada oficialmente na quinta-feira (9), a Cidade do Agro prevê a implantação de um complexo de 200 hectares entre Pelotas e Capão do Leão, às margens da BR-293.
A proposta é concentrar, em um único espaço, empresas, universidades, instituições de pesquisa, produtores rurais e órgãos públicos para desenvolver atividades voltadas à inovação, capacitação, demonstração de tecnologias e geração de negócios ao longo de todo o ano.
Segundo os organizadores, a iniciativa surgiu a partir do Projeto Drenar, criado durante as enchentes de maio de 2024 para articular ações de apoio ao setor produtivo. A experiência de atuação conjunta entre diferentes instituições levou à elaboração de uma proposta permanente para o desenvolvimento regional.
O lançamento reuniu cerca de 400 convidados e apresentou as primeiras etapas previstas para a implantação do empreendimento.
A fase inicial contempla a instalação de 46 Unidades Demonstrativas, áreas de aproximadamente 700 metros quadrados destinadas à apresentação de máquinas, sementes, insumos, tecnologias e outras soluções utilizadas na produção agropecuária.
Na sequência, o projeto prevê a implantação de Estações de Pesquisa Agropecuária, voltadas ao desenvolvimento e à validação de tecnologias adaptadas às características de solo e clima da Metade Sul.
Inicialmente, o espaço deverá abrigar pesquisas relacionadas às cadeias de grãos, bovinocultura, ovinocultura, avicultura, fruticultura, hortaliças em cultivo protegido e sistemas florestais. A previsão é ampliar o número de culturas e linhas de pesquisa nas etapas seguintes.
A proposta busca reduzir uma característica comum do setor: a concentração de demonstrações de tecnologias e da troca de conhecimento apenas durante feiras e exposições agropecuárias. Com uma estrutura permanente, a intenção é manter essas atividades ao longo de todo o ano.
Museu, centro de eventos e parque tecnológico
A última etapa do projeto prevê a construção do Instituto Cidade do Agro, que deverá reunir um museu dedicado à história do agronegócio regional, um centro de eventos para encontros técnicos e institucionais, espaços voltados à educação e um parque tecnológico.
De acordo com os organizadores, a estrutura pretende aproximar pesquisa científica, inovação e setor produtivo para estimular novos investimentos e fortalecer cadeias produtivas da região.
Eles afirmam que a iniciativa não pretende substituir eventos agropecuários já consolidados, mas funcionar como um espaço complementar de atividades permanentes.
Embora o cronograma de implantação tenha sido apresentado durante o lançamento, os responsáveis pelo projeto ainda não divulgaram o investimento previsto nem o prazo para conclusão das diferentes etapas do complexo.
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