
Enquanto os pessegueiros permanecem sem folhas e sem frutos durante o inverno, produtores rurais de Pelotas enfrentam uma das etapas mais importantes do ciclo da cultura. É neste período que ocorre a poda de inverno, prática considerada essencial para garantir o desenvolvimento das plantas e a formação da próxima safra.
A expectativa da Emater/RS-Ascar é que o município colha cerca de 36 mil toneladas de pêssego na safra 2026/2027. Embora o volume seja inferior às quase 40 mil toneladas registradas no ciclo anterior, a projeção ainda é considerada positiva para o principal polo produtor da fruta no Rio Grande do Sul.
Segundo o extensionista da Emater em Pelotas, Rodrigo Prestes, julho marca o início dos principais tratos culturais nos pomares.
— Nós estamos no início de julho. É o momento que o produtor está efetuando tratos culturais, principalmente a poda — explica.
Descanso da planta influencia a produção
Durante o inverno, os pessegueiros entram no chamado período de dormência, fase em que reduzem o ritmo de desenvolvimento para suportar as baixas temperaturas. Esse descanso é fundamental para que a planta floresça adequadamente na primavera e produza frutos de qualidade.

Para que esse processo ocorra de forma satisfatória, as plantas precisam acumular entre 250 e 300 horas de frio, preferencialmente com temperaturas iguais ou inferiores a 7°C.
Além das condições climáticas, a poda desempenha papel decisivo nesse processo. Todo o trabalho é realizado manualmente, exigindo dedicação intensa dos produtores.
— É a época do ano que realmente o produtor tem mais trabalho. Porque toda essa poda é feita de forma manual. Essa poda que nós chamamos de poda de produção, poda de inverno — explica Prestes.
Trabalho intenso nos pomares
Na propriedade da família Drawanz, em Pelotas, cerca de 70 árvores são podadas diariamente.
Para o produtor Tiago Drawanz, o trabalho realizado agora representa apenas uma parte dos desafios da safra, que ainda dependerá das condições climáticas nos próximos meses.
— Vamos ver como é que o tempo vai colaborar daqui para frente, se vai colaborar na época da flor, depois na época das frutas. A esperança que seja uma safra boa de novo — espera.

Segundo dados da Emater, Pelotas possui 595 produtores de pêssego e 3.095 hectares cultivados.
— Desses, 15% produzem um pêssego destinado ao mercado in natura. E 85% produzem esse pêssego destinado para a indústria. Principalmente na questão das compotas de pêssego — afirma Prestes.
Na safra passada, a família Drawanz colheu aproximadamente 800 toneladas, desempenho considerado muito acima da média da propriedade.
Neste ano, a expectativa é alcançar cerca de 400 toneladas, volume menor, mas ainda suficiente para manter o otimismo da família.
— A gente tem uma empresa a céu aberto. Então tudo depende do pai velho lá de cima, mas acredito que vai dar certo — menciona.
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