
Cerca de 3,2 mil trabalhadores do comércio de Rio Grande, São José do Norte, Santa Vitória do Palmar e Chuí seguem há aproximadamente dois anos sem reajuste salarial. A demora é resultado do impasse nas negociações entre o sindicato patronal e o sindicato laboral para renovação da convenção coletiva da categoria.
Somente em Rio Grande, cerca de 2,5 mil comerciários aguardam definição sobre correção salarial e atualização de benefícios.
A falta de acordo tem impactado diretamente o orçamento dos trabalhadores, que relatam dificuldades para manter despesas básicas.
— Toda hora é uma desculpa. Dizem que o salário vai ficar acima, que os empresários não vão dar conta. Mas quero ver o Sindilojas viver com o nosso salário mínimo — afirma a supervisora de vendas Queina Faduel Oliveira.
A vendedora Dulcinéia Amaral Pereira relata que a ausência de reajuste agravou a situação financeira.
— É pagar uma conta e deixar outra para depois. Vira uma bola de neve — diz.
O dissídio coletivo, responsável por definir reajustes e benefícios da categoria, depende de negociação entre representantes dos trabalhadores e empresários. Em Rio Grande, porém, as tratativas não chegaram a consenso.
Segundo o presidente do Sindilojas Rio Grande e Região, Luiz Escobar, as propostas apresentadas pelo sindicato laboral dificultam o fechamento do acordo.
— O sindicato laboral está impondo mais regras e pedindo valores que entendemos como incompatíveis com a realidade da região. Isso prejudica também o trabalhador, que segue sem receber reajuste — afirma.
Já o Sindicato dos Comerciários defende que as reivindicações buscam recompor perdas acumuladas e melhorar condições de trabalho.
Conforme o presidente da entidade, Paulo Arruda, a categoria busca piso de R$ 2.011,25 para trabalhadores de supermercados, além de retroatividade à data-base de fevereiro de 2024.
— O piso era de R$ 1.910 em fevereiro de 2024. Buscamos valorização real e recuperação das perdas desse período — afirma.
Impasse também afeta abertura em feriados
A falta de convenção coletiva atualizada também impacta o funcionamento do comércio em feriados.
Nos shopping centers de Rio Grande, uma liminar judicial proibiu a abertura das lojas com uso de funcionários enquanto não houver acordo válido entre as partes.
A medida afeta empresários como Daiane Souza, que possui três operações no Praça Rio Grande Shopping.
— Impacta muito. Tenho três empreendimentos e só podemos abrir com proprietários. Fica inviável — afirma.
Outro ponto em discussão envolve benefícios. Segundo o sindicato laboral, trabalhadores de shopping recebem atualmente R$ 11 de vale-refeição, valor considerado insuficiente.
— Não dá para comprar um prato de comida. Defendemos pelo menos R$ 20 — diz Arruda.
Sem previsão para conclusão das negociações, trabalhadores seguem à espera de definição.
— Além do impacto financeiro, isso envolve um direito garantido aos trabalhadores. É essencial resolver — afirma o vendedor João Victor Chaves.
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